Como fazer uma criança ler mais? | Chega mais

quinta-feira, outubro 17, 2019


| Por Clara Taveira com colaboração de Claudia Taveira |

Conheci meu marido no meu primeiro período no curso de Letras. Logo descobri que ele não podia ver um sebo ou barraquinha ou livraria na rua, que já queria entrar e levar metade do que encontrava por lá. Então qual não foi minha surpresa quando descobri que leitura não foi um hábito adquirido na infância, por falta de incentivo? Eu, que cresci achando que o que minha mãe, Claudia, fazia era comum, fiquei impressionada. Até os dezenove anos, imaginei que se a média de leitura anual no país era tão baixa, isso se devia a uma questão de gosto somente, não de falta de incentivo (olha que fofa, a Clara inocentona!). 

Mais cedo, hoje, uma amiga minha, mãe de um leitor de doze anos, mencionou que a mãe de um colega de escola pediu dicas de como incentivar o hábito de ler, já que ele pegou emprestado O Diário de Um Banana e adorou (mesmo que antes não fosse muito dado à leitura). Eu listei todas as dicas que minha mãe havia citado em um vídeo antigo do CJL, na época em que éramos um canal de YouTube, e percebi que essa informação toda se perdeu no momento em que tiramos o canal do ar. Portanto decidi trazer as ações de dona Claudia novamente para cá, na esperança de que ajude algum responsável por crianças e adolescentes a mostrar esse mundão maravilhoso de meu Deus que é a literatura. É lógico que esse post não pretende ser um manual preciso, psicopedagógico (até porque, por mais que minha mãe seja pedagoga e eu seja professora de português, as dicas foram criações dela antes da faculdade e de vinte anos atrás), obrigatório nem nada, mas sim um guia bacana de dicas iniciantes que deram muito certo comigo. Vai que elas funcionem com você e seu guri ou sua guria também?

Optei por chamar a criança de "filho", mas isso não exclui de modo algum responsáveis como avós, tios, enfim. Respeito a pluralidade de famílias desse país gatão que é o Brasil, até porque também venho de uma família "não-tradicional". Do mesmo modo, optei por este gênero, pois o uso de "x" pode atrapalhar na leitura de aplicativos para cegos. Dito isso, chega mais, bora prosear.

Passeios em livrarias, sebos e bibliotecas

Eu não tenho uma memória nítida da primeira vez em que minha mãe me levou a um local de livros. Lembro de quando ela começou a me alfabetizar, aos quatro anos, uns dois anos antes de entrar no curso de Pedagogia, mas a primeira ida a uma biblioteca ou livraria, eu não me recordo. Também lembro da primeira ida a um sebo, o antigo Leonardo Mários, hoje Academia do Saber, no Centro, Rio de Janeiro, porque eu saí de lá com um monte de gibis da Mônica e dois livros (também do Maurício) que custavam os olhos da cara na livraria (eu sempre fui mão de vaca, mesmo quando o dinheiro gasto nem era meu). Foi uma experiência única poder levar tanto material de leitura por tão pouco dinheiro, e também foi uma experiência um pouco tardia (eu devia ter uns nove, dez anos), se comparada com os outros passeios. Mas livraria? Não faço ideia da minha primeira vez. Também não lembro da minha primeira Bienal do Livro, somente que eu torcia para o ano ímpar chegar logo, porque  amava cada segundo do passeio (até mesmo a ida ao Riocentro, na época em que não havia metrô e a gente tinha que passar pelo Elevado e meu estômago só pensava: "Berenice, vamos rodar"). Esses passeios eram rotineiros, mesmo que não fossem necessariamente semanais ou quinzenais. Eram normais, aguardados com muita expectativa gostosa, e sempre fizeram parte de nossa rotina.

Claro, para mim, nascida e criada no Rio de Janeiro, pode ser muito mais fácil arrumar lugares literários para frequentar do que para uma criança que more em uma cidade muito pequena. Quando morei em Simão Pereira, uma cidade do interior de Minas com a incrível soma de três mil habitantes, conseguir material de leitura era bem difícil (nem existia Kindle ainda, os celulares eram de botão, então...). Porém, quando eu ia à Juiz de Fora, cidade com meio milhão de habitantes, ao ladinho de Simão, eu já fazia meu estoquezinho no sebo e na biblioteca de lá. Como a ideia é realmente tornar a ida aos locais de livro um passeio, vale tentar fazer isso, procurar em cidades vizinhas. Junte um monte de sanduíches gostosos, uns sucos em garrafa, coloque numa mochila, dê um caderno de leitura a ele (falarei disso daqui a pouco) e leve seu pimpolho para algum espaço em que possa voltar suado, fedido, descabelado e feliz, com seus livrinhos na mochila. Se der, pague um lanche que ele goste muito, mas que você só possa dar de vez em quando, pode ser uma boa associação: dia de ir comprar livros/pegar livros na biblioteca é dia de comer um sandubinha naquela fast-food bacana (ou qualquer coisa mais saudável, é você quem manda) com a família. Lembre-se que compartilhar comida é uma ação ritualística, é o momento em que estamos juntos deixando a pancinha cheia!

Livro como presente fixo

Minha mãe tinha uma postura muito bacana em relação a presentes. Como ela trabalhava, era secretária em uma empresa chamada H. Strattner (que tinha cheiro de papel de Xerox, e eu sempre amava quando podia ir até lá), em São Cristóvão, e a gente morava bem longe disso na época, vinte e tantos anos atrás, a ida era um pouco mais demorada do que pode ser hoje. Some uma hora e cacetada de ida, uma hora e cacetada de volta + oito horas de trabalho, uma hora de folga e a faculdade de noite, e o tempo que sobrava para que ficássemos juntas era muito reduzido. Havia semanas em que eu só conseguia dar uma volta com ela, em um passeio mãe-e-filha, na hora do almoço de sábado, após a aula da universidade, na Urca. Ali do lado tem um shopping, o Rio Sul, e depois da aula era comum que ela me levasse lá para passear na antiga Siciliano (hoje Saraiva, amanhã só Deus sabe).

Se, no shopping, eu entrasse em loja de brinquedo, olhava tudo, mas não pedia nada: sabia que não ganharia, deixava para pedir uma Barbie ou um jogo de tabuleiro no aniversário mesmo. Porém se eu visse um livro que gostasse muito, que me prendesse, e pedisse a ela (meio culpada, sabe, mão de vaca mirim toda vida), minha mãe fazia uns cálculos mentais, para ver se cabia no orçamento, e comprava. Lembre que era época em que o imposto de capa sinistro, aquele imposto, ainda não havia caído, então livro era uma parada muito, muito cara na época. Mas minha mãe sempre tentava comprar. Eu não me recordo de uma vez em que tenha pedido um livro e ela tenha recusado, mesmo que isso significasse não ter a ida mensal ao McDonalds ou ter que dar aquela apertada nas contas menos burguesas. 

É claro, não estou falando para você, mãe, pai, vó, enfim, responsável pela criança, se endividar dando todo e qualquer livro desejado, até porque reconheço que há livros infantis que só faltam cozinhar um jantar completo digno de jurado de MasterChef, de tão tecnológicos, portanto são bem carinhos. Mas há outros muito mais baratos, há diversas opções, alternativas, para que seu filhote possa entender o valor da literatura (até mesmo pelo seu esforço em dar livros para ele). Se a situação financeira estiver apertada, busque sebos, procure livros no Estante Virtual, grupos de troca em Facebook na sua cidade, bibliotecas comunitárias, municipais, enfim, busque. Vá atrás. Mostre a ele que vale a pena investir tempo e energia nisso, na diversão dele, nas múltiplas viagens que um livro pode (ou não) proporcionar.

Não é para jogar na cara dele, pelo amor de Deus, mas sim mostrar que se você recusa um slime  inútil (ai, desculpa, eu sempre odiei slime, desde a época em que se chamava Amoeba e eu tinha idade para brincar com aquela gororoba), mas concorda em dar um livro, é porque a parada é bacana - e o slime pode sempre ficar para o aniversário ou dia das crianças. Não precisa fazer discursos de que isso é importante para o desenvolvimento cultural, é uma criança, ela não tá nem aí para isso. Fala sério, você estaria atenta a isso com nove anos? Claro que não.

A ideia é permitir que ele consuma a quantidade de livros que desejar, mesmo que isso seja um esforço maior de sua parte, é para criar um hábito, uma rotina de prazer que pode até conectar vocês dois (ou três, ou quatro, enfim). Quando eu pedia um livro e minha mãe demorava muito para concordar em me dar, eu sabia que aquele livro em especial seria um cadinho mais pesado no bolso de mãe solteira, já que ela estava fazendo muitas contas mentais, então, sendo bem honesta, eu valorizava cada segundo daquele livro. Inclusive, um deles, que minha mãe comprou na Livraria da Travessa, em Ipanema (imagina o preço do livro, I-pa-ne-ma), eu tenho até hoje. O Primeiro Amor de Laurinha. Deve ter sido o livro que eu mais li na vida. Custou uns quarenta reais, se não me falha a memória. Pensa, quarenta reais quase vinte anos atrás! Mas eu fiz valer esse investimento, valeu, mãe.


(Praticamente) Qualquer leitura é válida

Não seja uma pessoa chatona: se seu filho pegar um livro adequado à idade dele, mas que você ache uma besteira, deixe que ele leia o que quer ler. Não sendo um Cinquenta Tons de Cinza, se ele gostou, é ele quem deve gostar, e você deve incentivar que ele busque o(s) gênero(s) preferido(s). Ele vai ter muitos anos depois para experimentar todo tipo de literatura, então se nesse mês ele só quer ler todos os livros do Jeff Kinney, você pare de ser preconceituoso e deixe que ele se divirta lendo só o Jeff Kinney. Se ele quer ler somente Turma da Mônica, você encha ele de gibis (algo baratíssimo de se conseguir em sebos, brechós e camelôs hoje em dia). Se o negócio dele é ler livros de Minecraft ou daquele rapaz Luccas Neto, deixa o bichin ler os livros adequados à idade dele (não custa dar uma olhada antes, eu não faço ideia do que esse moço, irmão do Felipe Neto, fala nos livros, vai que seja algo que vá contra seus princípios de algum modo?).

Claro, isso não significa que você não possa indicar livros, aparecer em casa com algo que tenha gostado muito, mas saiba que nem sempre isso vai dar certo, e tudo bem! A gente não é obrigado a gostar de todo livro que lê, por que a criança deve ser? Fora que há livros que não se encaixam muito na geração, né? Por exemplo, minha mãe um dia tentou me fazer ler a Coleção Vagalume. Eu detestei, era muito década de 70 para mim, parecia que estava lendo um romance histórico. Isso em 2001, imagina para uma criança de nove anos hoje ler um livro em que a protagonista precisa ir a um orelhão, botar umas fichas para avisar à mãe que vai atrasar para o jantar? Não estou dizendo que esses livros são ruins, nem que toda criança vai detestar livros mais antigos, óbvio que não, estou apenas mencionando que nem sempre o que você considera literatura infantil perfeita vai ser amado pela criança. E tudo bem, não tem problema. Juro, não tem.

Hábito é rotina, e rotina não é tão ruim assim, poxa

De nada adianta fazer esses esquemas de passeios, compras, idas à biblioteca e tudo por dois meses e nunca mais tocar no assunto. Não é assim que funciona, até porque a chance de que tudo dê certo do jeito que você deseja aconteça em dois dias é bem pequena. Hábito é rotina, rotina é show de bola. Tentar fazer do passeio um dia fixo, criar com seu filho listas de leitura que ele deseja, anotar os livros lidos, ter um momento para que ele conte, se quiser, quais livros gostou mais, sugerir livros, dar exemplo, isso tudo precisa ser uma constante, ainda mais hoje, com tanta distração (nem sempre positiva) na internet. Não precisa criar uma rotina engessada e militar ("leitura uma hora por dia, antes de dormir, ou vai pagar vinte quando acordar!"), mas é necessário tirar a demonização de que rotina é algo péssimo. Na verdade, ela é muito, muito necessária. Claro, você pode positivamente quebrar expectativas, talvez voltando para casa um dia com um gibi que ele goste, ou um livro que você gostaria que ele lesse, por exemplo, quem sabe trazendo material de papelaria para o caderno de leitura (falarei disso ainda, prometo) ou construindo estantes com caixas de feiras lixadas e pintadas para que ele guarde seus tesourinhos. Mas isso não impede que a literatura seja algo sempre presente na rotina da casa, mesmo depois que ele caminhar com seus próprios passos. 

Não, não adianta botar a responsabilidade na escola. A criança é sua cria, não dos professores e diretores, e mesmo que eles tenham obrigações, não podem fazer milagre, não é mesmo? Escola representa, o quê?, 1/4 do tempo em sociedade? Se não rolar estímulo positivo em casa, não vai funfar. A pior coisa que um responsável pela criança pode fazer quanto à escola é desovar o guri no pátio, se mandar e esperar que aos dezoito anos tudo esteja funcionando do jeito que gostaria. Eu sei, todo mundo passa seus perrengues com tempo, com dinheiro, mas não estamos falando de um furo na parede que a gente sempre adia botar massa, mas sim do desenvolvimento de uma criança, né? Não é bacana que se dedique tempo à criação dela, antes que vire um adolescente y soy rebelde? Infância passa num segundo, né não? Melhor dar um jeito na agenda agora do que querer forçar a barra quando o pimpolho já for um pimpolhão e não estiver muito preocupado com nada além de... sei lá, a Billie Elish (o que adolescentes gostam hoje? Dancinhas de Fortinite?).

Seja arteiro, faça arte literária com ele.

Sabe a caixa de feira lixada e pintada que mencionei? É uma parada muito legal de fazer com a criança (não a parte de lixar, claro). Há mil artesanatos bacanérrimos que você pode procurar no Pinterest para criar ambientes de leitura na casa. Estantes recicladas, varal de barbante, sapateiras de tecido transformadas em porta-livros, enfim. Faça para ele, mas também faça com ele. Se manchar todo de tinta pode ser divertido pra cachorro para uma criança, ainda mais pelo prazer de construir e decorar seu próprio ambiente de leitura (que pode ser simplesmente um pedacinho do quarto dele/de vocês ou da sala, enfim).

Outra coisa muito bacana é incentivar que ele faça as artes dele. Por exemplo, colagens são ótimos modos de arte bagunceira. Escolha um livro que você leu (pode ser seu ou dele), pense em uma colagem legal, junte umas revistas (pode encontrar em sebos, brechós, pode pedir ao porteiro do prédio que guarde algumas, pode pegar no lixo mesmo, eu vivo fazendo isso, pode pedir a amigos que guardem, recepcionista de dentista, enfim), propagandas, folhas secas, pedaços de tecido, enfim, pegue tesourinha sem ponta, cola bastão (é melhor para colagem que cola gosmenta, não fica tudo enrugado) e chame ele pra te ajudar. Se ele se animar, deixe que escolha onde cada pedaço vai em cada parte da colagem (nunca tente reproduzir uma imagem mental de colagem perfeitamente: não vai dar certo). Pode usar de base papelão ou cartolina ou mesmo uma amostra de piso vinílico que você encontrou no lixo (eu fiz isso, obrigada, empresa de arquitetura da Rua Gago Coutinho, que sempre joga fora as amostras de piso às seis da manhã), o que você quiser. Faça arte, bagunça, taque glitter, se quiser. Contanto que vocês se divirtam, você pode fazer um surubão de papel tão intenso, que quando for a um médico para uma consulta de rotina, vai encontrar pedacinhos de papel dentro do intestino. Explique para ele o motivo de fazer isso, que é para você eternizar um livro que amou muito. Recomende a ele tentar também. Se der, imprima para ele imagens relacionadas (por exemplo, bonequinhos de Minecraft), compre adesivos, seja criativo (ou busque na internet, no caso de falta de imaginação, eu faço isso sempre).

Uma dica bacana para colagens é procurar no Pinterest e no Instagram por inspiração. Inspiração, somente inspiração, pelo amor de Deus, que se tem uma coisa que deprime é querer fazer igual às paradas publicadas nesses aplicativos. A gente até se deprime com a perfeição dos trabalhos apresentados, enquanto a gente parece um macaco filhote com cola na testa. Mas procure, se engaje, tente fazer disso uma brincadeira de pai/mãe/avó/enfim-filho. Taque um musicão que os dois gostem, depois faça um lanche gostoso e pendure a colagem em um varal, na geladeira ou coloque num porta-retrato. A cada arte que ele fizer, faça a mesma coisa, incentive que ele desenvolva a criatividade.

Outra coisa que é muito, muito gostosa é o caderno de leituras. Você pode comprar um caderno pronto, comum, algo que ele goste, ou pode fazer um do zero, seja comprando um caderno tradicional e encapando com tecido ou uma colagem, ou mesmo costurando um caderno. Como a pessoa com zero habilidades de costura que sou, sugiro comprar um caderno pronto e customizar. Compre um para você e um para a criança. Anote os livros que você leu e o ensine a fazer o mesmo. Pode sugerir que ele diga se gostou ou não, mas não exija um trabalho escolar, um resumo nem nada. Deixa ele fazer o que  quiser, dê dicas somente, como anotar o nome do livro, a data e dar estrelinhas. Se ele gostar de fazer arte, sugira que faça um desenho, uma colagem, enfim. Permita que ele dê asas à imaginação (e dê uma lubrificada nas asas mostrando ideias legais). Mas nunca, de modo algum, abandone seu caderno! Lembra da rotina!

Dê exemplo!

Acho que essa é a dica mais importante. De nada adianta mostrar para seu filho que brócolis é importante se você traça na frente dele um lasanhão congelado por dia, não é? Com a literatura pode acontecer o mesmo. A dica do caderno se encaixa muito aqui: mesmo que sua rotina seja tão atarefada, que você não pode ler tanto quanto gostaria, anote no seu caderno livros que já leu, faça colagens em cima de histórias passadas, até mesmo de séries e filmes, se quiser. Mas é importante mostrar que isso não é somente "uma daquelas coisas que os adultos mandam a criança fazer, mas não fazem". Como a escola, por exemplo. Não me levem a mal, eu sou professora, amo o ambiente escolar. Mas quando era criança, eu me perguntei por que a escola (na época, jardim) era tão importante se minha mãe não ia também. Depois é que eu fui entendendo que minha mãe não nasceu junto comigo, que já tinha ido à escola havia muitos anos. Mas ainda assim eu achava injusto ter que ir para um lugar que quase nenhum adulto ia. 

Dar exemplo é importante, sim. Pode haver um monte de estudos refutando o que eu digo, e se houver mesmo, eu dou meu braço a torcer (porque não sou terraplanista, não é mesmo?) que posso estar exagerando nisso, mas reforço que, para mim, foi fundamental. Crianças copiam adultos em tantas coisas (eu estou roendo unha até hoje, valeu, mãe, por roer na minha frente, hunf.), por que não dar coisas boas para elas copiarem? Leia, mantenha seu caderno de leituras atualizado, não fique batendo pé no chão querendo ir embora nos passeios de livros com a criança, por mais cansado que seu corpo esteja. Leia, dedique espaço para seus livros na decoração da casa, leve livros com você para os lugares, procure na internet clubes de leitura infantis, resenhas, dicas de leitura, vá a eventos, como feiras de livros infantis, enfim. Leia. Mostre que é gostoso, sem segundas intenções, tipo "fazer do meu filho o próximo presidente dos Estados Unidos". Se você não curte muito literatura, ao menos leia os livros da criança, para que você possa entender o gosto dela e ir atrás de outras opções. Mas leia. 


Outras dicas interessantes

Caso você tenha se animado quanto às colagens, mas minhas dicas não foram suficientes para criar uma imagem mental, procure no Instagram ou Pinterest por Junk Journal, Art Journal, DIY Book Crafts, DIY Journal, DIY Children's books e coisas do tipo. A dica é procurar principalmente por termos em inglês, já que a quantidade de resultados é maior. Se inglês não for o seu forte, taca no Google Tradutor ou decore os nomes que citei aqui.

Essa foi uma das primeiras colagens que eu grudei na parede, viva a fita verde! Ela foi inspirada em um romance de banca de jornal (inclusive, o casal veio da capa do romance), mas cês acreditam que eu me esqueci qual era? 
Lembra que mencionei uma empresa de arquitetura que joga fora os projetos, e eu vou lá e cato tudo? Eu uso essas páginas de rascunho para colar em livros velhos e ter onde anotar os livros que eu li. Falando assim, parece que fica um horror, né? E fica mesmo, mas arte é assim, tem dia que vai ficar tudo tão lindo, que você quer grudar na parede, e tem dia que fica tudo tão horroroso, que você pensa "por que, mamãe, me tiraste do ventre para ser tão brucutua?". Não desista nem desanime se suas colagens e arteirices com seu filho derem errado. Faça piada disso e pendure na parede mesmo se parecer uma perfeita representação de uma ressaca de carnaval. O bacana é se divertir!

Essa foi uma das primeiras colagens que eu fiz, os espaços em branco são destinados a anotar os livros infantis que eu li. À medida que os livros forem "amadurecendo", eu vou aumentando os espaços, até virar uma colagem por livro. Horroroso, né? Mas é isso mesmo, tem problema nenhum. É para ser divertido, não para passar em um Teste de Habilidade Específica de faculdade de Artes :D

Por último, agradeço à minha mãe, pela formação que ela tirou não se sabe de onde (ninguém na nossa família gosta de ler, ela foi a primeira, acreditam?), à Vilma, prima que brincava de dar aulinhas para minha mãe quando era criança (olha, então foi daí que o gosto de ler veio!), à Aurélia, pela inspiração para produzir esse post, e ao Raphael, por revisar para mim e por me alertar que "pimpolho" é uma expressão de cem anos atrás. Nem ligo, Pimpolho era um cara bem legal. Pena que... Sabe como é.


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Tem alguma dica bacana de incentivo? Comenta aqui, que eu atualizo o post! :)




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