Listas Marotas: começou com Baldwin, depois veio Morrison, Angelou...

segunda-feira, março 25, 2019

Dra. Maya Angelou <3
|  Por Raphael Pellegrini  |


Listinha de algumas leituras e filmes que todo mundo deveria se jogar

O mês de março definitivamente foi um marco no meu movimento de leitura. Foi um mês em que me dei conta de muita coisa e pude entender nuances apenas percebidas anteriormente, mas que não conseguia colocar na língua. Quando lia Angelou, Butler ou Chimamanda, sentia que existia ali uma diferença para outros textos, uma forma de ver o que acontecia aos personagens com um grau diferente de liberdade. Talvez eu sentisse que a diferença fosse como a matemática que difere o produto escalar e o produto vetorial. O primeiro é uma operação de dois valores que tem como resultado um terceiro valor que habita o mesmo plano dos fatores. Já no produto vetorial, a coisa começa a funcionar de um modo diferente. Os dois fatores estão no mesmo plano, mas o resultado de sua multiplicação é um vetor que aponta para um plano perpendicular. Ele guarda em si uma operação de um outro plano, mas em sua definição, ele mira um outro lugar inacessível pelos seus fatores.

Pode parecer confusa essa associação, e talvez ela produza diversos problemas menores que eu ainda não pensei com cuidado, mas o que tento dizer é que ao mergulhar nesses autores, em suas vozes, ao ouvir suas palavras, consegui compreender o que mexia comigo: a forma com que esses artistas narram o mundo guarda uma posição de ser/estar na sociedade específica, e isso se mostra em toda sua arte, que é sempre de uma potência sem fim.

Mas como o objetivo dessa postagem é fazer uma listinha marota - um dia, quem sabe, compartilho o que tenho sentido ao ter contato com esses mundos tão maravilhosamente narrados - vamos a ela. Misturei filmes e livros, e acho que o bacana é passar um tempo com tudo.



1 - Terra Estranha - James Baldwin


Tendo como pano de fundo a agitada cena musical de Nova York dos anos 1950, Terra Estranha é um retrato franco sobre bissexualidade e relações inter-raciais, publicado em uma época em que esses assuntos eram tabu.

Este romance de fôlego, publicado em 1962, tem como pano de fundo os clubes de jazz de Greenwich Village, em Nova York, na década de 1950. Rufus, um baterista negro em decadência, se envolve com Leona, uma mulher branca nascida no sul dos Estados Unidos. Dessa relação complexa em sua origem, desdobram-se temas caros a James Baldwin, como raça, nacionalismo, identidade, depressão e bissexualidade.
Em Terra estranha, o celebrado autor de O quarto de Giovanni constrói uma obra comovente, violenta e apaixonada, cujos personagens tentam reverter a todo custo as barreiras da segregação racial e das convenções burguesas em busca da felicidade e de si mesmos.





2 - Eu sei por que o pássaro canta na gaiola - Maya Angelou


RACISMO. ABUSO. LIBERTAÇÃO. A vida de Marguerite Ann Johnson foi marcada por essas três palavras. A garota negra, criada no sul por sua avó paterna, carregou consigo um enorme fardo que foi aliviado apenas pela literatura e por tudo aquilo que ela pôde lhe trazer: conforto através das palavras. Dessa forma, Maya, como era carinhosamente chamada, escreve para exibir sua voz e libertar-se das grades que foram colocadas em sua vida. As lembranças dolorosas e as descobertas de Angelou estão contidas e eternizadas nas páginas desta obra densa e necessária, dando voz aos jovens que um dia foram, assim como ela, fadados a uma vida dura e cheia de preconceitos. Com uma escrita poética e poderosa, a obra toca, emociona e transforma profundamente o espírito e o pensamento de quem a lê.

"Eu tinha quinze anos quando descobri Eu sei por que o pássaro canta na gaiola. Foi uma revelação. [...] pela primeira vez, ali estava uma história que finalmente falava ao meu âmago." - Oprah Winfrey, apresentadora e empresária norte-americana. Trecho do prefácio do livro.

"Maya escreve de modo a se libertar e a nos ajudar a sermos livres também. [...] Maya Angelou foi uma mulher que não guardou silêncio, expôs suas dores e, ao fazê-lo, fez com que muitas histórias se conectassem e fossem contadas através de suas narrativas." - Djamila Ribeiro, mestre e pesquisadora na área de Filosofia Política. Trecho da orelha do livro.





3 - Eu não sou seu negro






4 - Amada - Toni Morrison



Baseado numa história real, Amada é ambientado em 1873, época em que os Estados Unidos começavam a lidar com as feridas da escravidão recém-abolida. Com estilo sinuoso, Toni Morrison constrói uma narrativa complexa, que entrelaça com maestria brutalidade e lirismo.

Livro mais conhecido da escritora americana Toni Morrison, prêmio Nobel de Literatura de 1993, Amada ganhou o Pulitzer de 1988 e em 2006 foi eleito pelo New York Times a obra de ficção mais importante dos últimos 25 anos nos Estados Unidos. Em 1998 recebeu uma adaptação cinematográfica – Bem-amada –, com Oprah Winfrey no papel principal.
Sethe é uma ex-escrava que, após fugir da fazenda em que era mantida cativa com os filhos, foi refugiar-se na casa da sogra em Cincinatti. No caminho, ela dá à luz um bebê, a menina Denver, que vai acompanhá-la ao longo da história. A relação familiar, bem como os traumas do passado escravizado, transformarão a vida e o futuro de ambas de forma irreversível.
Amada segue uma estrutura não-linear, viaja do presente ao passado, alterna pontos de vista e sonda cada uma das facetas desta história sombria e complexa. Considerado um clássico contemporâneo, este livro faz um retrato ao mesmo tempo lírico e cruel da condição do negro no fim do século XIX nos Estados Unidos.

"A versatilidade e a abrangência técnica e emocional de Toni Morrison não têm limites. Não há como duvidar de sua estatura como uma das personalidades mais proeminentes da literatura americana de todos os tempos. Amada é um livro arrepiante." – Margaret Atwood, The New York Times





5 - As Alegrias da Maternidade - Buchi Emecheta


Nnu Ego, filha de um grande líder africano, é enviada como esposa para um homem na capital da Nigéria. Determinada a realizar o sonho de ser mãe e, assim, tornar-se uma "mulher completa", submete-se a condições de vida precárias e enfrenta praticamente sozinha a tarefa de educar e sustentar os filhos. Entre a lavoura e a cidade, entre as tradições dos igbos e a influência dos colonizadores, ela luta pela integridade da família e pela manutenção dos valores de seu povo.





6 - Americanah - Chimamanda Adichie



Uma história épica de amor e de imigração, um romance arrebatador da premiada autora de Meio sol amarelo.

Lagos, anos 1990. Enquanto Ifemelu e Obinze vivem o idílio do primeiro amor, a Nigéria enfrenta tempos sombrios sob um governo militar. Em busca de alternativas às universidades nacionais, paralisadas por sucessivas greves, a jovem Ifemelu muda-se para os Estados Unidos. Ao mesmo tempo que se destaca no meio acadêmico, ela depara pela primeira vez com a questão racial e com as agruras da vida de imigrante, mulher e negra. 

Quinze anos mais tarde, Ifemelu é uma blogueira aclamada nos Estados Unidos, mas o tempo e o sucesso não atenuaram o apego à sua terra natal, tampouco anularam sua ligação com Obinze. Quando ela volta para a Nigéria, terá de encontrar seu lugar num país muito diferente do que deixou e na vida de seu companheiro de adolescência. 

Principal autora nigeriana de sua geração e uma das mais destacadas da cena literária internacional, Chimamanda Ngozi Adichie parte de uma história de amor para debater questões prementes e universais como imigração, preconceito racial e desigualdade de gênero. Bem-humorado, sagaz e implacável, Americanah é, além de seu romance mais arrebatador, um épico contemporâneo.





7 - Selma - Uma luta pela igualdade (disponível no Netflix)








8 - The Underground Railroad: Os caminhos para a Liberdade - Colson Whitehead



Vencedor do Pulitzer 2017 "Você não vai conseguir parar de ler."Oprah Winfrey"Um dos livros mais aguardados do ano."The Washington Post"Quase alucinatório, com ecos de Amada, de Toni Morrison, Os miseráveis, de Victor Hugo, O homem invisível, de Ralph Ellison, e pinceladas emprestadas de Jorge Luis Borges, Franz Kafka e Jonathan Swift."The New York TimesCora não consegue imaginar o mundo que há além da fazenda de algodão ― e nem poderia. Das poucas coisas que lhe era permitido saber, ela sabia que a Geórgia não era um estado amigável para fujões. As cores do sangue derramado e o som dos gritos dos escravos eram claros na sua mente, e seus sonhos eram habitados pela angústia de suas companheiras de senzala. Em uma alma sedenta por liberdade, qualquer convite para ver o mundo além das cercas parece uma fonte cristalina. Cora não sabia dos segredos que se escondiam nas veias de seu país. Até que Caesar, um jovem escravo, contou-lhe sobre a ferrovia subterrânea que os levaria até os Estados Livres, onde não há mais escravidão. Cora terá que atravessar os Estados Unidos e enfrentar terríveis desaventuras. Mas nada pode conter sua coragem para transgredir as condições que lhe foram impostas – ela fará de tudo para ser livre.



9 - Kindred - Octavia Butler



Em seu vigésimo sexto aniversário, Dana e seu marido estão de mudança para um novo apartamento. Em meio a pilhas de livros e caixas abertas, ela começa a se sentir tonta e cai de joelhos, nauseada. Então, o mundo se despedaça. Dana repentinamente se encontra à beira de uma floresta, próxima a um rio. Uma criança está se afogando e ela corre para salvá-la. Mas, assim que arrasta o menino para fora da água, vê-se diante do cano de uma antiga espingarda. Em um piscar de olhos, ela está de volta a seu novo apartamento, completamente encharcada. É a experiência mais aterrorizante de sua vida... até acontecer de novo. E de novo. Quanto mais tempo passa no século XIX, numa Maryland pré-Guerra Civil – um lugar perigoso para uma mulher negra –, mais consciente Dana fica de que sua vida pode acabar antes mesmo de ter começado. “Impossível terminar de ler Kindred sem se sentir mudado. É uma obra de arte dilaceradora, com muito a dizer sobre o amor, o ódio, a escravidão e os dilemas raciais, ontem e hoje”.– Los Angeles Herald-Examiner




10 - Mulheres, Raça e Classe - Angela Davis


Mais importante obra de Angela Davis, Mulheres, raça e classe traça um poderoso panorama histórico e crítico das imbricações entre a luta anticapitalista, a luta feminista, a luta antirracista e a luta antiescravagista, passando pelos dilemas contemporâneos da mulher. O livro é considerado um clássico sobre a interseccionalidade de gênero, raça e classe.





Existem muitas outras obras, e essa lista é composta simplesmente daquilo que me aproximei nesse primeiro momento. Primeiro momento porque ainda estou reunindo textos de autores brasileiros negros (Conceição Evaristo, Maria Firmina dos Reis, Lima Barreto, Djamila Ribeiro, Lázaro Ramos e muitos outros), além de muitas outras obras. Esse é apenas um movimento de aproximação num universo imenso de cultura e textos que até bem pouco tempo eu não havia acessado.



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3 comentários

  1. Lista de respeito! Vou começar "Eu sei por que o pássaro canta na gaiola" de Maya Angelou hoje e depois vou para "Terra Estranha" do JB. <3

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  2. Torço para que mexa com você como tem mexido com a gente. Tem um deslocamento difícil de precisar, mas que está lá, que é fruto dessa escrita e dessas histórias.

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  3. tantos livros tão pouco tempo pra ler. oh god. já quero todos <3

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