Drops de leitura: Octavia Butler e Angela Davis

terça-feira, março 19, 2019



| Por Raphael Pellegrini |

Em 2018 tive meu primeiro contato com a escrita de Octavia Butler por meio da belíssima edição de Kindred, publicado aqui no Brasil pela Editora Morro Branco. Para além da história, me surpreendi com uma força de escrita que poucas casaram tão bem com o meu momento. O que não me surpreendi foi com a presença de mulheres fortes, porque nunca acreditei nas narrativas que inferiorizam alguém por gênero ou qualquer outra categoria que divida hierarquicamente a vida humana. Não me surpreendi com os atos de coragem incondicional de defesa da vida e da possibilidade de humanidade. Num tempo em que pessoas negras eram vistas por pessoas brancas como seres sem traços humanos, a formação de comunidades, de rotinas domésticas (dentro do que era possível ser feito), de laços de amor e fraternidade me parecem o núcleo central de uma obra que carrega consigo a necessidade de gritar para o mundo que aquelas pessoas negras eram seres humanos lutando por liberdade e por existência, por dignidade. 

Entretanto, mesmo completamente impactado pela obra (passei de Kindred à Parábola do Semeador) e pela escrita de Octavia, preferi não escrever nada sobre a leitura. Me faltam palavras, estudos, conhecimento e um monte de coisas mais para falar sobre o tema - por isso esse textinho é mais um comentário que uma resenha, impressão de leitura ou qualquer coisa do tipo - e foi aí que percebi o quanto não conheço sobre todo esse momento histórico, seja no Brasil seja em outros países. Que li poucos livros sobre o assunto, que tive contato com poucas vozes que falem mais desse momento histórico e que também não procurei como deveria (essa narrativa não vai cair do céu, e o meu papel como ser humano é no mínimo ir atrás dessas histórias se eu quiser de fato viver num mundo de diferenças).

Antes tarde do que nunca, mergulhei em James Baldwin, ontem estive com Angela Davis e espero, assim que o trabalho der uma folga, mergulhar nos braços de Toni Morrison e Djamila Ribeiro. Preciso conhecer essas narrativas, essas histórias, desfazer pensamentos desenvolvidos numa aula de história bastante conservadora da infância que nunca deu conta do mundo. 

Por fim, fica a dica: se você for ler Kindred, dá uma olhada no primeiro capítulo do livro Mulheres, Raça e Classe, da Angela Davis. Esse texto foi para mim quase uma leitura complementar e me ajudou a construir muitos sentidos com a história de Butler.

Deixo abaixo alguns links para as obras citadas.







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