[Parte I] Catete: o paraíso dos livros usados | Chega Mais

sexta-feira, outubro 19, 2018

Foto retirada do Wikipedia


|  Por Clara Taveira  |

Em 2010, conheci Raphael, meu marido. Ele foi criado no Catete, um bairro da zona sul carioca que se difere bastante dos clássicos de turismo do eixo Leblon-Ipanema-Copacabana-Botafogo-Flamengo. Claro, há muita coisa a ser explorada aqui também, mas o Catete é bem menos "quiet nights and quiet stars". Ele está mais puxado para o outro eixo de turismo do Rio, Largo-do-Machado-Glória-Santa-Teresa-Centro e por aí vai. 

Eu sou meio bicho do mato, então não sei exatamente te explicar a diferença... conceitual entre um pedaço e outro do Rio. Mas há uma coisinha que eu sou especialista, modesta às favas, exatamente pela convivência com Raphael e por, claro, morar no bairro: o mercado maravilhoso de livros usados do Catete, responsável por 95% da minha biblioteca.

É sério, eu não estou brincando. Há MUITOS livreiros de rua no bairro, MUITOS. Se eu for listar por nome, passo o dia aqui (mas ok, só para vocês terem uma ideia do que estou falando: Lúcia, Alda, Seu Firmino, Enderson, Sérgio, seu José, o moço que ainda não sei o nome na Rua do Catete...). De sebos, sebos mesmo, tipo livraria, temos somente o Beta de Aquarius (que já é uma beleza). Mas de "camelôs de livros"... Ó, é um passeio.

Recentemente, uma amiga minha avisou que ia se mudar para o Rio, e eu tratei de combinar um café na Cultura. Não deu tempo, Cine Vitória fechou. Por mais triste que eu tenha ficado, logo pensei "espera, por que estou marcando coisas em livrarias quando eu moro no paraíso dos livros de segunda mão?" Já corrigi meu erritcho e marquei com ela um tour pelo bairro.

Pensando nesse tour, decidi fazer uma série de pequenos textos no CJL sobre esses achados, patrimônio do Catete, e vamos conhecer cada um deles. Eu tenho um pouco de vergonha de pedir para tirar fotos, então vou trabalhar com imagens que peguei na internet, cada um com seu devido crédito na legenda, combinado?

O post para inaugurar é sobre o livreiro José Marcos da Souza!


Fonte: BBC. Clique na foto para ver a reportagem completa!

Nome do livreiro: Seu José
Ponto de venda: Praia do Flamengo, esquina com a Rua Barão do Flamengo.
Faixa de preço: ridícula! Normalmente, três livros por 10 reais. Ele vive de doações, está em situação de rua, então pode ir lá doar livros, além de comprar!

E vai por mim: você vai comprar. Só um exemplo, para dar um gostinho, do que a gente encontra lá:


Como somos "habitués", ele de vez em quando faz uns preços doidos, tipo 4 por 10 (como o caso da foto), mas nós compensamos doando livros vira e mexe, não se preocupe.

Sim, cada um dos livros da foto custou menos de 3 reais. Dois e cinquenta, para ser mais exata. Viu o Laranja Mecânica, capa dura e tudo? É isso.

Há MUITOS outros livros dele aqui em casa, tenho tentado postar no Instagram do Capitu Já Leu (que não se chama Capitu já leu, se chama 111livros <= clique no nome e dê uma olhadinha), mas de vez em quando eu até esqueço, de tão feliz que fico com as aquisições. 

Seu José é muito, muito gente boa, indica livros, mas também te deixa olhar sem ficar muito em cima - boa pedida para pessoas tímidas! 

Lembrando, ele está na esquina da Rua Barão do Flamengo. Para chegar ali, o mais legal é pegar o metrô e saltar no Largo do Machado. Dali, é um pulinho para a lona dele, logo perto desse coqueiro, veja: 




Nesse print do Maps ele não aparece exatamente pela data: 2016. Ele ainda não estava vendendo livros, não estava em situação de rua, então acabou não aparecendo, como outros que são clicados pelo carro do Google.

Ir ao Seu José é uma das coisas mais divertidas de nossa rotina. Ele está lá diariamente, salvo quando chove, claro. Vale a pena a ida.

Ah, se você gosta de açaí (mas açaí de verdade, de Belém, não essa loucura que vende no rio, com xarope de guaraná e outras heresias), aproveita para tomar um baldão no Tacacá do Norte, exatamente na Rua Barão do Flamengo! Une dois passeios em um só: um rango gostoso e um encontro bacana com alguém muito legal!


Fonte: BBC. Ele não fica exatamente entre esses vasinhos por enquanto, porque está acontecendo uma obra. Mas fica sempre nos coqueiros, vai por mim! :)


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