[Colaboradores] Tudo Aquilo que nos Separa, de Rosie Walsh

quarta-feira, outubro 24, 2018



|  Por Aurélia Cruz  |


Você já levou um toco? É, é isso mesmo, um toco. Aquela ignorada básica que te deixa com a cara no chão, que te faz olhar no espelho e se perguntar:

— Mas como assim ele não me ligou?

E aí, como você lidou com isso? Ficou na sua ou correu atrás, enfrentando até as últimas consequências?

É o que acontece com Sarah Mackey e transforma toda sua vida para sempre.

Quando, ao sétimo dia de uma gostosa e inebriante aventura amorosa, Eddie David segue para seu período de férias programado anteriormente com seu amigo, Sarah nem de longe imagina o tamanho do sofrimento e da carga de dúvidas que a esperam dali para frente. Ela simplesmente aguarda por aquela ligação, combinada em meio a beijos e sussurros, que deveria acontecer assim que seu mais novo caso de amor chegasse ao aeroporto. Afinal, depois de sete dias de muita cumplicidade e envolvimento, não há dúvidas de que Eddie vai cumprir prontamente o que foi combinado, certo?

Errado. Eddie não liga e simplesmente desaparece. E é neste momento que uma intrincada história se desenrola diante de nossos olhos, nos enganando e ludibriando a cada página que passa, para, no final, tal qual Eddie mostrou com maestria à Sarah, nos provar que nada é o que parece ser.

“Não foi um adeus. Não foi nem de longe um adeus. Desde quando “adeus” envolve as palavras “Eu acho que me apaixonei por você?”

Recém-saída de um casamento fracassado que não despertava nem mesmo a tristeza em seu coração e seguindo contra todas as expectativas das pessoas mais próximas, Sarah se apaixona por Eddie em um dia escaldante, diante de uma situação um tanto quanto bizarra. Ela havia acabado de sair de um casamento, pelo amor de Deus! Seus amigos esperavam um longo período de depressão por Reuben, mas nem de longe isso fazia parte de seus pensamentos.

“Serão necessários muitos meses até você se permitir nutrir sentimentos autênticos por outro homem, haviam me informado pela manhã.”

Porém nem em seus piores pesadelos ela poderia imaginar o que o destino havia reservado para essa nova fase de sua vida. Depois de dar a volta por cima da situação mais dolorosa pela qual poderia passar, fugir para os Estados Unidos com o coração em frangalhos, fundar uma genial ONG infantil em Los Angeles e viver por dezessete anos um casamento dos sonhos com um americano padrão, Sarah se vê de volta às suas origens e às voltas com medos e inseguranças enterrados em um lado obscuro de sua vida que não deve ser revisitado, mas que é imediatamente confrontado com o sumiço de Eddie. Da mulher que viajava o mundo proferindo palestras e encantando pessoas para uma simples stalker desesperada por encontrar seu alvo.

Em meio aos alertas e conselhos de seus amigos, Sarah parte em uma busca enlouquecedora pela chance de felicidade que escapou pelos dedos, sem ao menos lhe deixar pistas dos motivos por trás da mudança tão grande de atitude do homem que parecia sereno e resoluto há apenas alguns dias. Ela tem certeza que algo muito grave aconteceu para que Eddie sumisse dessa forma. Só isso justificaria todos os seus planos caindo por terra.

“Durante alguns dias, eu me convenci de que estava tudo bem. Seria absurdo – loucura, até – duvidar do que havia acontecido entre nós.”

Neste romance denso e muito bem escrito, nos deparamos com uma intrincada rede de relacionamentos humanos que despertam a mais variada gama de confrontos e de momentos de superação. Todos interligados à única coisa que pode atrapalhar o romance entre Sarah e Eddie: a verdade.

Brigas, intrigas, traumas do passado e um esforço contínuo para sobreviver ao caos fazem de Sarah uma personagem ricamente construída que segue pelos caminhos obscuros e traumáticos da vida até sua redenção, promovida pela presença de Eddie, um estranho e simpático homem que surge em uma grande pegadinha do destino, para provar que nem mesmo as convenções mais arraigadas são capazes de destruir um grande amor.

“Dobro o corpo para a frente, e um soluço de espanto, de alegria, de alívio, de assombro, de um milhão de coisas que eu não saberia nomear, me escapa. Parece uma risada. Poderia ser uma risada. Cubro o rosto com as mãos e choro.”



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