Respire Fundo, de Camila Marciano

sábado, setembro 29, 2018


|  Por Clara Caraciolo, Clara Taveira, sei lá meu nome, tô desbaratinada  |

Na moral, acho que essa vai ser a resenha mais doida que eu já fiz. Só para vocês sacarem a loucura, eu comecei a escrever direto no Blogger, coisa que eu NUNCA faço. Trauma de escrever direto no Wattpad e ele atualizar e eu perder tudo, sabe como é, né?

Pois bem, não vou resenhar esse livro do jeito convencional. Nem pode ser chamado de resenha isso, vai ser bem uma impressão de leitura, uma... como a gente passou a chamar mesmo, Rapha? Experiência literária? É isso, vou contar minha experiência com esse bendito livro. Para você sacar um cadinho a vibe, vou deixar a sinopse, só para sentir o bagulho.

Quando disse "sim" no altar, Andréia Borges não esperava levar um golpe. De empresária com prestígio e dinheiro a mãe de carreira solo sem um puto no bolso.
A solução para isso foi simples: Respirou fundo, limpou os joelhos da queda e fez o que as mulheres fazem quando se vêem com um filho para criar e nenhum suporte.
Na contramão vem Bento Castro, um arquiteto premiado, herdeiro da empresa do pai, muito bom com desenhos e projetos, mas um péssimo administrador. Vê seu império ruir um pouco por dia e não sabe o que fazer. Nem como.
O leitor pode achar que esta é mais uma história de um CEO que se apaixona por uma mocinha pobre e indefesa.
Mas você já viu uma mãe ser menos que leoa?
Não é que Bento se apaixona, veja bem:
É que Andréia o deixa sem ar.

É isso, já sacou a parada, né? Bora pro textão diferentão do comum.

Eu já devo ter dito umas 111 vezes que eu sou revisora, né? Pois é, sou revisora no mercado independente de literatura nacional. Não venha achando que o mercado indie é igual ao mercado editorial comum. NÃO É. De um lado, temos Planeta, Intrínseca, Valentina (a editora não-indie-mas-indie que mais perde oportunidade de conquistar primeiro lugar no ranking da Amazon por não lançar mais autores indies, como a Pepper e a Sofia Silva, mas não tô aqui para julgar as decisões editoriais alheias), de outro totalmente oposto temos a Pandorga, a Hope, a amada Livros Prontos e, enfim, a Amazon enquanto plataforma de publicação 100% independente.

Veja bem: não estou dizendo que os dois lados são opostos de forma julgadora, tipo "um é bom, o outro, ruim". Longe de mim, até porque prefiro, em vários momentos, o indie que o tradicional, que é meio congelado de vez em quando. Opa, olha eu julgando novamente, pare com isso, sua abusada.

O pó é que eles são 100% diferentes. Enquanto o tradicional tá nem aí para o e-book, com essa história de "ai, só equivale a 1% do faturamento", o indie VIVE do e-book. E, vai por mim, tem autora aí tirando dez paus em duas semanas, quando fica no topo.

Claro, há inúmeras desvantagens no indie que não existem no tradicional, como a ausência, em muitos casos, de uma curadoria, de edição, enfim. Mas isso não significa, como eu já ouvi de gente de editora grande, que só haja "porcaria" no indie. "Porcaria", acreditam? 2018, e a gente ainda escuta essas coisas.

Pois bem, falei, falei e não sei mais do que tô falando. Sabe por quê? Porque é isso que acontece comigo quando eu leio um "a" da Camila Marciano. Não sei o que essa megera tem com os dedos, com a cabeça, quero muito saber em qual Igreja Adventista das Oito Artes ela foi batizada quando bebê, porque, velho, eu leio algo dela e até minha tosse de gripe tem cheiro de arte.

Eu sei, tô parecendo aquela galera que fuma altas maconhas na Jamaica, um cantinho dos jardins do CLA, Centro de Letras e Artes da Unirio. Mas continua aqui, que eu juro que vou tentar fazer sentido.

Provavelmente vou xingar muito a Camila, então se tu és fã dela, fique calma, que não são xingamentos reais. Tá ligado quando você gosta muito de um presente e vira para o presenteador e grita "SEU FILHO DA PUTA, AMEI"? Bom, eu sou assim. Se não gostas de uns palavrões, recomendo que não leia mais esse texto.

Ah, lembrei da conexão entre mercado indie e a Camila: ela é indie. Ponto. Eu tenho editora, mas também me considero indie. Nasci no mercado indie, e assim como Arctic Monkeys tem gravadora e cara de metido a besta hoje em dia, mas ainda é chamado de banda indie, eu sou indie e pronto. E nunca vou querer deixar de ser, nem se uma Harlequin batesse na minha porta pedindo um café moído na hora e um romance cheio de palavrões.

Mas Camila é indie de raiz. Do tipo que imprime os livros por conta e dá um jeito de estocar na casa, na cozinha, em qualquer canto que dê. Indie do tipo que segura reimpressão porque não curtiu o resultado final do livro 2 (ou 3?) da trilogia. Indie do tipo que tem fandom bacanudo, com nome divertido. Na real, mais indie que a Camila, acho que só a Anne Marck (outra que eu também admiro pra caralho). 

Mas Camila não é indie do tipo que costuma ser comum. Quero dizer, essa é a minha impressão, nunca falei com ela sobre isso, não sei o que ela pensa.

O lance é que Camila não parece se render totalmente ao comercial, coisa que até eu já fiz. Ela escreve, ao meu ver, aquilo que move ela, aquilo que toca ela, tá ligado no que eu digo? Por isso que eu sempre tenho a sensação que se ela peidar, o pum dela vai sair numa fumaça cor de turquesa gritando arte. Ou dourada, para combinar com o projeto gráfico do livro novo.


Roubei do Instagram dela, @camilamarciano.
Na real, não critico quem busca literatura comercial não, visse? Boletos não se pagam sozinhos, eu criei o Botando Banca visando trazer de volta os romances de banca, mas também visando pagar umas continhas, porque ninguém é de ferro.

Ou seja, se você é autora, trate de destorcer esse nariz para o meu texto, que ninguém aqui tá falando que literatura comercial é errado. Não vai sair por aí dizendo "AIN, OLHA A CLARA METIDA", que eu te taco uma praga para você ter dor de barriga num metrô lotado.

Mas bora voltar para o lance de comercial-não-comercial.

O lance com a Marciano é que essa caralhuda parece conseguir fazer os dois ao mesmo tempo, e eu termino um livro dela sem fôlego, porque não somente fico sem enxergar nada, naquela névoa de arte que praticamente só os livros da Morro Branco me deixam, mas também porque eu olho e penso "viado, eu sou uma imbecil".

Sabe quando você vai num modo de fazer algo, achando que aquilo é o certo, aí vem alguém e mostra que, na verdade, você precisa escaldar o filtro de papel antes de fazer o café, pra tirar o gosto ruim que fica? Aí você pensa "EU SOU UMA TOUPEIRA, COMO NÃO NOTEI ISSO?". 

É basicamente como eu fico com os livros dela. 

Roubei do Instagram dela TAMBÉM, @camilamarciano.

O Próximo Homem da Minha Mulher Sou Eu foi praticamente o único caso de parceria que eu não cumpri. Porque não consegui, velho, até hoje, fazer a resenha dele. Agora que voltei a ler com tudo, depois de uns meses de cabeça fodida e (graçazadeus por esse segundo) muito trabalho, reativei projetos antigos, como o @111livros, um Instagram meu só de fotos e impressões de leituras. Então vou tentar novamente ler o livro e tentar fazer jus ao caralho do livro, porque, viado, VIADO!

Ok, não vou falar desse livro agora, vou continuar no ponto da arte e todo esse blá blá blá que eu tô escrevendo há décadas aqui.

Pois bem, agora se liga nos acasos: comecei a ler o livro bem quando, após 7 meses sem falar com minha mãe, finalmente fizemos as pazes, e o mais curioso é que há muitas semelhanças entre a Andréia e a Claudia (sem acento, porque parece que acento na família Caraciolo é proibido: minha vó se chama Lucia, sem acento também, e há outros casos doidos assim). Não vou me estender muito, nem vou expor a história de vida de minha amada genitora, mas acho que essa imagem aqui diz muito sobre as semelhanças entre as duas mães:

Roubei... ah, vocês já sabem. Sigam ela lá: @camilamarciano. E me segue também, aproveitando: @autoraccaraciolo e @111livros
Mandando a real, foi esse livro que me tirou de uma ressaca gigante, e cê acredita que, até esse ponto da resenha/impressão de leitura/textão maconhado (quando eu nem fumo maconha, olha isso), eu nem terminei de ler o livro ainda? 

Mas já deu para falar isso tudo, porque a névoa de arte cor de turquesa com glitter dourado (eu falei sobre gases com isso, né? Sou uma lady) já tá aqui, cheirando a felicidade (e você ainda tá pensando na Camila peidando que nem unicórnio, confessa) e com gosto de lágrima.

É, porque eu chorei lendo o caralho do livro. Logo eu, que sempre disse ter chorado com uns 5 livros dentre os quase 900 que já li. Até sei quais foram, enumero aqui: Cidade de Deus, A Culpa é Das Estrelas (me julgue), Marley & Eu, Elle 3 (ninguém atira na cabeça do Gabriel e espera que eu fique tranquila, mesmo que o tiro acerte a parede) e... teve mais um, peraí, que até esqueci. Enfim, não lembro, mas teve mais um. Sei, porque contava nos dedos de uma mão só.

Bom, preciso da outra mão agora, valeu aí, Camila, eu tava feliz usando só a direita para enumerar o chororô.

Na real, eu tava muito travada com literatura (fora do trabalho) quando ela anunciou o lançamento. O que me atraiu mesmo foi a capa, as artes que ela tava usando. Achei bacana o acaso, porque eu uso um conceito semelhante pra um dos meus livros, ó só:

Dessa vez, roubei do Facebook dela. Ô mulher bonita da peste.
Agora se liga nos banners de um dos meus livros:



Se ligou no acaso suave, mas bacanudo? Preto e branco, uma tira de tinta colorida na cara? Ok, o dela é mais gato, mas deu para sacar. Eu olhei e pensei "ó, que show!". Aí assinei o Kindle Unlimited pra dar uma olhada, levando em conta que, como você já percebeu, leitor, eu adoro o que ela escreve.

Eu perdi o fio da meada... Tá, vou terminar de ler o livro para terminar o texto, melhor.


Sabosta não roubei, fiz mesmo. Entendeu por que eu roubo as fotos das autoras? Mas ao menos sou esforçada, vai cagar.

Ok, a partir de agora, eu terminei de ler o livro. Ou seja, até o parágrafo anterior, o textão foi feito enquanto eu ainda tinha 68% de leitura. Agora estou com 100%, e continuo com a mesma impressão de antes.

Não vou negar, achei o final um pouco, digamos... como posso falar isso sem dar spoiler? Deixa eu pensar aqui...

Achei o final um cadinho... arrumado. Explico: como já mencionei, há diversas semelhanças entre a história da Andréia e a de minha mãe. Muitas, muitas mesmo. E eu sei como normalmente funciona na vida real, portanto, então esperava um final feliz, pelo amor de Deus, que minha mãe não me tirou do ventre para eu sofrer por final deprimente, mas... queria um cadiiiinho de sujeira. Um cadinho de realidade mais crua, de poluição de São Paulo. Não consigo me explicar melhor que isso sem dar spoiler. Caso você tenha lido e queira ouvir minha opinião com spoiler sobre o final, me avisa, que eu te digo.

Mas isso tirou o encanto do livro? Jamais. Isso desacelerou meu coração? Nope. Isso, se eu fosse dar uma nota de 0 a 100 ao livro, fez Respire Fundo perder ponto? Nem por um cacete. Se possível, dou nota 111 para ele.

Inclusive, esse final desse modo me fez pensar naquilo que eu SEMPRE digo sobre meus livros: o que importa não é como termina. O que importa é a experiência da leitura. Que meus personagens ficam juntos, isso é óbvio, sou escritora de romance romântico, gente, eu quero mais é "eu te amo" no final do livro (bom, Pulso Zero eu... hm... não sei bem se... mas enfim), com ou sem palavras, mas o lance que eu tento sempre fazer é que a experiência valha a pena.

E, bom, Respire Fundo valeu pra cacete. A nuvem de prazer estético tá aqui até agora.

E você ainda tá pensando no peido de unicórnio artístico da Camila, né? Vou mandar fazer uma caneca dessas:


Agora vá ler o livro. Vale cada centavo. Vale até mais, se pá.



P.S.: Não venha me xingar por esse texto completamente caótico. Eu avisei no começo dele que eu não tô aqui para fazer sentido. Ora bolas.

P.S.2: Até que não xinguei muito a autora, tô orgulhosa de mim. Nem fiquei repetindo "que lindo", "que lindo", "que lindo", como eu fazia em 2013. Esse troço de chegar aos 30 anos é bacana, né?

P.S.3: Só para relembrar, esse texto não é uma crítica a quem escreve literatura visando mais o dinheiro do que arte. Arte é foda, mas nem sempre paga as contas, e eu entendo. Reforçando a ameaça, se alguém vier falar que eu sou sebosa por causa desse texto, vai ter caganeira no metrô, que não tô com paciência para gente que não sabe interpretar texto óbvio e sai tirando conclusão que não existe por aí. E, claro, não disse que eu não escrevo literatura comercial ou que Camila Marciano também não escreve. Se você entendeu isso, volte três casas e leia de novo, ou já sabe, né? Evite metrô e trens pelos próximos 3 meses.

P.S.4: Vá ler o livro.



Apesar da loucura do texto, se interessou pelo livro? Comprando por esse link, você dá uma força para o CJL se manter sem vender bolo de pote. A gente não come açúcar, sabe? Ia ser difícil provar os bolos e tals...

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2 comentários

  1. Melhor resenha, pessoa mais sincerona e ao mesmo tempo gentil (sim, gentil, calma, fofa.... ela só disfarça de ogra com esses palavrões) que eu conheço. Fiquei muito curiosa pelo livro. Vai acabar atropelando aquela fila de não lidos que eu te mostrei por esses dias... #CulpaSua <3

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  2. Caralho, tua resenha é tão boa que me deu vontade de ler o livro e conhecer a autora. E essa capa ahhh, chama muito também <3

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