Quando Finalmente Voltará a Ser Como Nunca Foi, de Joachim Meyerhoff

|  Por Clara Taveira  |


Ter parceria com editora é um troço engraçado. A gente fica na torcida para os livros do mês nos interessarem ou, caso a editora tenha essa prática, para que um livro antigo e desejado apareça por milagre na lista das possibilidades.

Desde que o Capitu Já Leu virou parceiro da Editora Valentina, eu fico na torcida por dois livros surgirem na listinha mensal: Proibido, aquele da capa com a flor vermelha, lindíssima, e Quando Finalmente Voltará a Ser Como Nunca Foi. Um porque o tema me desperta uma grande curiosidade como leitora, e o outro porque tudo, absolutamente tudo no livro me atraiu: da sinopse, passando pelo título e terminando na capa, eu fiquei namorando esse livro na Amazon por uns três meses, decidindo se ia ou não comprar, até que ele apareceu no terceiro mês de parceria.

Por coincidência também, o livro entrou para o Kindle Unlimited, como praticamente tudo do catálogo da editora. Acasos deliciosos da vida.

Tive uma imensa dificuldade de escrever sobre esse livro. Demorei quase dois meses, acreditam? Por isso, vou resumir a história a um parágrafo meu e a sinopse. O resto será sobre minha experiência de leitura.

Quase como um livro de memórias, a obra do autor alemão Joachim Meyerhoff nos mostra a vida de um guri que cresceu em um lugar comum, normal para uma criança, quem nunca cresceu em um lugar assim, tranquilão: um hospital psiquiátrico.

Sério.
Isso é normal? Crescer entre centenas de pessoas com deficiência física e mental, sendo o filho mais novo do diretor de um hospital psiquiátrico para crianças e jovens? Nosso pequeno herói não conhece outra realidade – e até gosta muito da que conhece. O pai dirige uma instituição com mais de 1.200 pacientes, ausenta-se dentro da própria casa quando se senta em sua poltrona para ler. A mãe organiza o dia a dia, mas se queixa de seu papel. Os irmãos se dedicam com afinco a seus hobbies, mas para ele só reservam maldades. E ele próprio tem dificuldade com as letras e sempre é tomado por uma grande ira. Sente-se feliz quando cavalga pelo terreno da instituição sobre os ombros de um interno gigantesco, tocador de sinos.

Joachim Meyerhoff narra com afeto e graça a vida de uma família extraordinária em um lugar igualmente extraordinário. E a de um pai que, na teoria, é brilhante, mas falha na prática. Afinal, quem mais conseguiria, depois de se propor a intensificar a prática de exercícios físicos ao completar 40 anos, distender um ligamento e nunca mais tornar a calçar o caro par de tênis? Ou então, em meio à calmaria, ver-se em perigo no mar e ainda por cima derrubar o filho na água? O núcleo incandescente do romance é composto pela morte, pela perda do que já não pode ser recuperado, pela saudade que fica – e pela lembrança que, por sorte, produz histórias inconcebivelmente plenas, vivas e engraçadas.

Não é sensacional?

Não tenho muito a dizer do livro além de: amei.

Há um livro que eu sou encantada há quase cinco anos, Vaclav & Lena. Um livro muito injustiçado, por sinal. Refugo de sebo, foi vendido na internet (novo ou usado, Submarino ou Estante Virtual) por valores indecentes -- paguei, na primeira compra, 3 reais e na segunda compra, 1 real. A primeira, livro novo, lacrado, vendido online, a segunda, livro usado, largado na caixa do restolho do sebo 2005, em Copacabana. Uma imensa injustiça repetida duas vezes.

Mas as injustiças não param aí: V&L obviamente é um livro fora de catálogo. Poxa, Intrínseca.

Brinks, amo vocês.
Desde minha primeira leitura, eu morro de medo de reler e detestar V&L, de perceber que o amor que eu senti por ele fosse coisa de momento, de contexto. E isso é totalmente possível, afinal de contas, não sou a mesma pessoa de semana passada, que dirá de quase cinco anos atrás. A possibilidade é realmente grande, por isso, não releio nem que me paguem.

Ainda que tenha ficado igualmente encantada, isso aconteceu com Quando… eu senti algo diferente em relação a ele: eu QUERO reler. Quero reler tipo AGORA. Quero guardar na estante no Setor dos Amadinhos, quero dormir de conchinha com ele.

Senti coisas muito distintas, mas todas muito agradáveis na leitura: nostalgia, carinho, uma raivinha ocasional, um cadinho de decepção em alguns pontos… E, sim, tudo foi positivo. Uma experiência muito saborosa.

Há livros que eu simplesmente não consigo resenhar. Dentre eles, há diversas categorias: os que eu não gostei e não quero perder tempo resenhando; os que eu não gostei a ponto de querer descer a lenha, mas não conseguir porque ódio não costuma ser bom combustível para um texto; os que eu não gostei, mas não posso resenhar porque o fandom vai me almoçar com favas e um bom Chianti (e isso é real, tem gente que não sabe aceitar uma crítica, que já coloca tudo no balaio da inveja e sai metralhando todos ao seu redor); os clássicos muito clássicos, que eu morro de medo de falar bobagem; e, finalmente, os que eu gostei tanto, mas tanto, que não sei o que dizer.

Viro boba alegre.

Acho que já deu para sacar o motivo de essa resenha ter sido tão desorganizada, né?

Peço perdão pelo vacilo. Não desistam de mim.



Ficou interessado, apesar de tudo? Se comprar o livro por esse link, você dá uma forcinha para o Capitu Já Leu se manter e não paga nada por isso! :)


Nenhum comentário:

Postar um comentário