Vale Sem Retorno, de Mariana de Lacerda

|  Por Clara Taveira  |


Sabe um daqueles livros com escrita incrível, fluidez narrativa, temática poderosa e carisma para dar e vender? Desses que você lê e fala “caramba, que máximo!”?

Então, sabe a raiva que dá quando você vê que tais livros não estão bombando, vendendo horrores, aparecendo em lista da Veja e o caramba? Eu não sei vocês, mas fico bem revoltoddynha quando vejo um livro que eu adorei fora do top 100 da Amazon.

Vale Sem Retorno é um desses livros. Eu adorei, devorei ele com a maior empolgação e fiquei bem chocada ao ver que ele não estava arrasando corações nos top-alguma-coisa como eu acho que deveria estar. Sério! Dá uma olhada na sinopse:
A ida de Viviane à corte de Camelot como dama de companhia de Lady Morgana, irmã do Rei Arthur, atende a múltiplos interesses: Sir Dionas quer arrumar um bom casamento para a única filha; Lady Morgana quer uma aliada em seu plano de vingança contra Merlin, responsável pela morte de seu pai anos antes; e Viviane quer aprender magia.

Ao apaixonar-se por Merlin, no entanto, Viviane frustra as expectativas de todos: certamente o filho do demônio não é o genro almejado por seu pai; tampouco Viviane concordará em guiar o mago à armadilha engendrada por sua senhora.

Merlin, por sua vez, apesar de corresponder ao amor de Viviane, vive seus próprios dilemas: ele sabe, graças a seus dons premonitórios, que envolver-se com sua aluna de magia é rumar para o próprio fim. E, embora Viviane insista que é possível escapar do caminho traçado pelas previsões, ele não tem tanta certeza.

A história pessoal de Merlin pouco se sobressai ao seu papel como conselheiro do Rei Arthur. Nas várias versões que nos chegaram da Idade Média, o romance com Viviane, sua aluna de magia, não toma mais que poucas páginas, nas quais ora ela é muito má, e, após aprender com Merlin tudo o que ele sabia, trancafia-o para não ter que fazer sexo com ele em troca, ora ela o ama tanto que o trancafia para tê-lo só para si. Neste livro, eles ganham uma história de amor mais detalhada e, sobretudo, menos mesquinha, mas sempre fiel aos elementos das versões medievais originais.

Quando li essa sinopse, me apaixonei de cara. Adooooro livros sobre a lenda do Rei Arthur, morro de felicidade quando leio um. No caso desse, cheguei no livro por indicação da própria autora, se não me engano. Ou foi indicação de um leitor do livro? Não me recordo, mas também não faz diferença. Eu a-do-rei.

Como dá para ver na sinopse postada logo acima, VSR é um romance que conta a história de amor proibido de Merlin e Viviane. Inclusive, uma das coisas mais incríveis nesse livro é o fato de que ele quebra alguns lugares comuns que permeiam as histórias sobre as lendas da tão famosa Távola Redonda.

Por exemplo, uma das coisas que eu sempre ouvi dizer – salvo em As Brumas de Avalon – sobre Viviane, Morgana e todas as outras mulheres que rodeiam Rei Arthur é que são todas bruxas, malvadas, cruéis, mesquinhas, essas coisas. Quase seres etéreos, desprovidos de sentimentos. Aqui, no entanto, a história é contada de outro modo, com outra visão, com outras perspectivas e (por que não?) com outros fatos sendo narrados.

Em VSR, o amor proibido do mago mais famoso do mundo com sua aprendiz não ocupa apenas frases ou capítulos do livro, mas sim toda a obra, sendo descrito em detalhes, mostrando as felicidades, pesares, receios e batalhas desse amor. Arthur está longe de ser o protagonista dessa história (ok, isso é um pouco exagero, mas vocês entendem o que eu quero dizer, né?). E, quer saber? Isso é ma-ra-vi-lho-so!

Com uma escrita fluida e muito gostosa, a autora nos leva para uma “realidade” outrora ignorada, em que Merlin e Viviene não são apenas secundários, ainda que com papéis importantes na lenda de Camelot, mas sim protagonistas, de carne e osso, com medos, paixões, desejos, dúvidas e tudo mais. Ao contrário do que sempre imaginamos, os dois não são dois velhinhos caquéticos com chapéu pontudo e túnica azul com estrelas coloridas ou cabelos prateados e vestidos ultrapassados. Não, são dois jovens apaixonados. Simples assim. E, ao mesmo tempo, brilhante.

Antes que alguém venha dizer: “Ain, Clara, mas a história é diferente da original”, eu relembro que não há uma história 100% fiel sobre isso tudo, não é? Afinal, se trata de uma lenda, cheia de versões! E, mesmo se houvesse, a autora tem liberdade poética para construir sua narrativa do modo que quer, certo?

VLS é uma história recomendada para vários tipos de leitores: os que amam romance, os que amam romances medievais, os que amam tudo relacionado a Camelot, os que amam amores proibidos ou apenas os que apreciam um bom livro, sem distinção de gênero. Recomendadíssimo!

Link para a obra na Amazon: Vale sem Retorno.

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