Hitman: A Condenação, de Raymond Benson


|  Por Clara Taveira  |

Em meados de 2015, ganhei Hitman: Absolution, o game, para Xbox360. Não sendo lá muito fã de games stealth, aqueles que focam na furtividade, eu não dei muita bola. Meu negócio sempre foi jogo em que eu pego uma AK47 e saio correndo que nem uma maluca no meio dos inimigos, atirando que nem o Rambo e gritando “IHAAA!” que nem aqueles americanos de A Múmia, sabem quais?

Não me lembro exatamente o motivo de ter dado uma chance ao assassino careca, mas vou te dizer: melhor coisa que eu fiz em minha jornada microsoftiana até agora!! Amei o jogo, me encantei pela jogabilidade (apesar de um pouco dura), pela história (apesar de não ser o ponto alto da saga Hitman) e, claro, pelo carecudo.

Não terminei o game naquela época, pois comprei o Xbox One e tive a impressão que a retrocompatibilidade ia abrir suas asinhas para ele também. Dito e feito, surgiu Hitman: Absolution no Xbox One um ano e pouco depois. Enquanto isso não aconteceu, eu fui procurando saber mais sobre o assassino mais famoso do mundo dos games (bom, ao menos para mim).

Dei aquela checada nos canais de YouTube, li Wiki, li tudo que encontrei e acabei descobrindo que a Leya havia lançado um livro dele, com uma história inédita, passada entre os eventos do Absolution e do Blood Money, game anterior a esse. Logo me joguei nele, claro, e amei cada segundinho.

A escrita do autor chamado para contar esse prelúdio é deliciosa. Com descrição rica de detalhes (mas sem ser chato),  pontos de vista alternando entre um narrador de terceira pessoa e o próprio 47, o livro te segura desde o começo, quando vemos o Agente 47 trabalhando por conta própria (olha o freelancer aí, minha gente!) após o fracasso de uma missão que quase o matou.

47 trabalhava, até então, para a ICA, International Contract Agency, ou simplesmente chamada de Agência, uma organização global que faz a ponte entre os melhores assassinos do mundo aos contratantes que desejam seus serviços. A Agência é conhecida por ser imparcial, por isso tem contratantes de todos os tipos (incluindo a CIA, MI6, o FBI, por aí vai). Seus serviços são muito profissionais, extremamente caros e exclusivos, afinal seus assassinos são todos de elite. E o melhor funcionário de todos, é claro, era o próprio 47 (imagina ele numa fotinho de “empregado do mês”?). Portanto, como era de se esperar, a ICA quer o carecudo de volta quando ele larga tudo. Imagina perder o melhor dos melhores? 

O agente, após insistência da Agência, decide voltar a trabalhar para eles, e seu primeiro contrato é bem, digamos… complicado: matar a então candidata à presidência, Dana Linder, e depois uma celebridade extremamente carismática: Charlie Wilkins. Imagine um Sílvio Santos mais novo, mais bonito e dono de igreja e de uma rede de fast-food tipo McDonalds. Então: é o Charlie. Linder, por sinal, é meio que uma afilhada desse senhor, ou seja: o contratante sabe muito bem quem está querendo eliminar. O problema para nós, leitores, é descobrir o motivo.

O agente 47, como era de esperar, consegue se infiltrar no complexo religioso gigantesco de Charlie, afinal, era uma exigência do contratante: que tudo acontecesse como se fossem obras de pessoas de dentro da igreja (ou mesmo do governo). 47, disfarçado de Stan Johnson, logo se adapta ao local e inclusive cria laços (que são e não são falsos ao mesmo tempo) com uma funcionária do local.

O mais interessante na obra escrita por Raymond Benson é que nela vemos que, sim, o 47 é humano. Por mais que seu nome seja um código, por mais que ele seja criado em laboratório, por mais que seja um assassino treinado, ele tem dúvidas, incertezas, temores, enfim. Não acho que ele possa ser considerado um herói, nem mesmo um anti, mas é interessante ver os traços de humanidade nele. Sendo bem sincera, nunca engoli muito bem essa coisa meio ficção científica de 100 anos atrás, com ele sendo uma colcha de retalhos genéticos. Essa coisa de “ah, vamos pegar os melhores DNAs para criar um assassino perfeito” é muito "blé" para mim, sério. Colocar bocadinhos de humanidade no 47 me deixa menos agoniada com essa história de sopa de letrinhas de DNA.

Hitman: A Condenação é um livro saboroso, empolgante e com gosto de quero mais. Torço para que agora, que a Square Enix tirou seu time de campo, mas manteve a saga Hitman nas mãos da IO Interactive, a saga possa viajar mais uma vez para os livros.

Preferencialmente, chamando Raymond Benson para contar outra história do assassino. Vou amar.

Um comentário:

  1. Sou fã do agente 47 desde o primeiro jogo. Adorei a sua resenha, fiquei empolgado para ler o livro e refazer alguns contratos no ps4. Trazer humanidade para um humano, apesar de ser óbvio, era o que faltava no 47, lidar com sentimentos, medos e suas emoções, afinal ele não é um cyborg. Ótimo texto, parabéns! :D

    ASS: Júnior

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