Desejo Insaciável, de Kresley Cole


|  Por Aretha V. Guedes |

Desejo insaciável, de Kresley Cole, é o primeiro volume da série Imortais, lançado no Brasil pela editora Valentina.  Se você gosta de homens selvagens, poderosos e grandes, este é o seu livro.

O  livro é bom, gostei da escrita em terceira pessoa, que me prendeu até o fim, porém eu esperava mais de um best-seller do New York Times. Quanto à diagramação, capa, tradução, revisão e aparência geral do livro, não tenho reclamações, a editora foi bem cuidadosa nesse sentido. Já quanto a história em si... O livro é um Erótico disfarçado de Fantasia. Não que eu tenha preconceito com erótico. Poxa, eu escrevo livros com um pouco de erotismo também!

Aqui, temos um lobisomem machista, bruto e controlador de mil e duzentos anos que passou as últimas quinze décadas sendo torturado pelo fogo. Preso no calabouço de vampiros, ele era queimado vivo, mas voltava a se regenerar diariamente. Não conseguiu se libertar, apesar da tortura diária, até que sentiu o cheiro de uma mulher. Dela. No livro – e em muitas outras lendas sobre lobisomens –, cada macho tem a sua parceira, sendo essa a mulher ideal com quem ele pode dividir sua imortalidade, suas riquezas e seus pensamentos, literalmente. Ela foi feita para satisfazê-lo, ele foi feito para localizá-la e protegê-la. Sua necessidade por ela é tão grande, que o motiva a se soltar dos grilhões que o mantém preso. Esta cena ficou muito boa e um pouco chocante. Depois de 150 anos de tortura, um lobisomem desesperado, cheio de ódio pelos vampiros e com um imenso desejo de vingança, só consegue pensar em uma coisa: encontrar sua parceira.

Já Emmaline é uma mulher de setenta anos, nada comum. Filha de um vampiro com uma Valquíria, ela é uma híbrida que não se encaixa perfeitamente em nenhum lugar. Emma é a junção de todos os principais clichês: aparência jovem, loira, olhos azuis, linda, a ponto de todos os homens de qualquer espécie parar para admirá-la, mas, detalhe importante, não se acha tão bonita assim. Não para por aí, citarei mais alguns que não são spoilers: órfã, frágil, medrosa, pensa que não é boa em nada, recém-formada, auto-estima quase inexistente, a última vampira no mundo, que só bebe sangue de copo, nunca matou ninguém e... virgem. Emmaline tem setenta anos e nunca deu sequer um beijo na boca. E você aí achando aquele livro com a virgem de vinte e um anos era um exagero, hein?

Há uma desculpa para o medo e a virgindade excessiva, porém não me convenceu muito. Eu poderia até superar isso se a protagonista não agisse como uma adolescente de dezessete anos o tempo todo. Eu compreendo que, comparada com os outros personagens do livro, ela é praticamente uma criança. Entendo que as tias Valquírias tinham medo de ela sucumbir ao seu lado vampira, por isso a protegeram o máximo que puderam. Contudo, Emma foi para uma universidade, conviveu com humanos, ou seja, não justifica agir como uma garotinha! Ela é uma vampira-valquíria, um ser único que possui poderes combinados de duas fortes espécies sobrenaturais. Ninguém deveria ser capaz de subjugá-la a ponto de acontecer praticamente uma síndrome de Estocolmo. Ela não sabe que está destinada a ser parceira dele, mas aceita que ele a mantenha ao seu lado com a desculpa de que precisa de alguém que o leve até o seu castelo na Escócia.

Tendo em vista que a autora adora um clichê, Lachlain não pode ser um lobisomem comum. Ele é lindo e estonteando, rei dos Lykae, e seu membro é tão grande, que uma mulher de 1,63m não consegue envolvê-lo por completo com a mão. Depois que soube dessa informação, compreendi porque ele achava que ia parti-la em duas. 

Para Lachlain, o mundo moderno é estranho, porém ele tem a conveniente capacidade sobrenatural de aprendizagem rápida e, em apenas dois dias, aprende até a dirigir. A cada dia que passa, Lachlain se sente mais ligado à Emma, apesar de ter se revoltado no início quando percebeu que sua parceira não era uma ruiva de peitões (sim, ele pensou exatamente isso), mas sim uma vampira loira e franzina. Não sei se ele ficou mais chateado por ela não fazer parte do padrão de beleza que ele gostaria ou por ser uma vampira. Lachlain é tão estúpido e Emma tão mimada, que o negócio demora o livro quase todo para acontecer. Eu já estava impaciente com tanta tensão sexual acumulada.

Quanto à fantasia, a autora joga termos como horda, lore, demônios bons e ruins, espectros, espíritos, tipos diferentes de vampiros, berserkers, valquírias, bruxas e Lykaes, mas não explica o que são. Mistura mitologia nórdica com grega, com lobisomens celtas em uma salada solta de seres sobrenaturais. Acredito que tenha feito isto para criar uma série longa com amores improváveis, tanto que no final do livro já pude detectar outros três casais além de Emma e Lachlain. 

Sobre a falta de explicação em relação aos seres sobrenaturais, citarei o exemplo das Valquírias. Como falar delas e não citar os guerreiros Einherjar ou o fim do mundo, o Ragnarok? A autora poderia pelo menos dizer que a realidade era diferente do mito e que os Einherjar não existiam. Ou algo que justificasse melhor essa mistura de mitologias. Não vou nem comentar sobre comparar Valquíria com fada. Se usasse o termo Faerie ou Fae, eu não me incomodaria, porém “fada” eu associo logo com asinhas coloridas e glitter. 

“Desejo insaciável” resume bem a história, eles sentem um desejo que não conseguem saciar – ele a despreza por ser vampira, e ela tem medo dele por ser lobisomem – e quando finalmente sucumbem, o desejo aumenta exponencialmente. O problema é que o livro me deixou desejosa de um pouco de fantasia de verdade. Se essa história tivesse menos briguinha de casal e mais ação, seria perfeita. 

Não é meu livro favorito, porém ficarei no aguardo da continuação, torcendo para que o Acesso – a guerra entre os seres do Lore que ficou totalmente esquecida neste primeiro volume – comece e traga ação para complementar a história. Os personagens secundários são intrigantes, e se o próximo não ficar tão focado no cunho sexual, a série poderá se tornar bem mais interessante (por sinal, duas figuras importantes na história são a sobrancelha e seu par, o cenho. Estes dois se juntaram e levantaram tantas vezes, que Emma e Lachlain só não tiveram rugas porque eram imortais).
No mais, preciso destacar a cena clássica do filme "Uma Linda Mulher", com a diferença que no livro é ele quem pega o cartão de crédito dela e gasta a grana comprando roupas e acessórios. 

Sem que ela autorizasse

Acho que os vendedores ficaram com medo de pedir a identidade dele, apesar de ter o nome Emmaline Troy no cartão. 

Recomendo principalmente para aqueles que gostam de quinze orgasmos seguidos na mesma noite em que perde a virgindade. Isso de parceiro sobrenatural que compartilha sensações e pode ser influenciado pela lua pode ter as suas vantagens...

3 comentários:

  1. Mana a Série tem 16 livros 😂 a Autora fez um glossário das criaturas pra dar uma resumida. No decorrer dos livros vai conhecendo as espécies do Lore.
    Uma coisa que faltou e que poderia facilitar mais a leitura é que esse na verdade é o segundo livro da Série. Antes dele tem o livro da Valquiria com um vampiro 😊😘😘
    Adorei a resenha ❤

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    1. 16 livros??? Não estou tão surpresa, percebi que seria assim pela quantidade de seres que ela colocou. Não sabia que este deveria ser o segundo, você leu o anterior?

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  2. Adorei a resenha! E que livro, fiquei curiosa a respeito da história, gosto de histórias eróticas :), ainda mais misturado com fantasia... já ganhou uma fã! Gostei da indicação! Abraços

    www.biashaina.com.br

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