Quando a Bela Domou a Fera, de Eloisa James

|  Por Clara Taveira  |

Ok, já aviso: não gostei desse livro. E foi pelo mesmo motivo que eu tanto amei no livro “O Sol Também é Uma Estrela”: a forma dele. Enquanto no livro de Nicola Yoon há uma estrutura narrativa deliciosa, que prende, encanta, te faz suspirar e refletir, esse aqui parece uma música do Djavan.

Sabe música do Djavan? Um monte de palavra solta que até pode fazer sentido, mas que te deixa meio “uai, é o quê? Açaí? Guardiã? Batatas? Arroz Doce?”? Então, é essa a sensação que tive com o livro de Eloisa James.

Vou explicar melhor:

O livro começa promissor, me fez rir, arregalar os olhos enquanto lia (o que fez com que meu marido me olhasse, assustado, se perguntando o que raios eu estava lendo). Fiquei positivamente surpresa com a audácia e carisma da protagonista… Como é mesmo o nome dela? Desculpa, o carisma acabou logo nos primeiros capítulos, então nem decorei o nome.

Ah! Linnet! Lembrei!

Enfim, Linnet até me fez rir no começo. Mas depois, eu vi uma dessas marrentinhas chatinhas, que ficam provocando e sendo meio grosseiras sem muito motivo. A mesma coisa no protagonista, obviamente inspirado… no House!

SIM. O HOUSE DA SÉRIE. DA BENGALA.

Gente, não dá. Mal comecei a ler, já fui achando ele parecido com alguém, até que PUFT! A cara do Hugh Laurie se encaixou no conde de Marchant, o Piers. Aí não dá. Não rolou, não tem como.

Em suma, por causa de um escândalo envolvendo um príncipe, a família pirada de Linnet decide arrumar um marido para ela. Afinal, todos estão dizendo que ela está grávida só porque passou mal em uma festa e usou um vestido com muito volume na frente da barriga. Oi? 

Enfim, há todo o suspense romântico fraquinho de “será que a bela vai domar a fera?”, pautado no pressuposto de que há uma fera. Só que eu não encontrei a fera em lugar nenhum, estou procurando até agora. O que eu vi foi o House de mil e… Espera, em que ano esse livro se passa mesmo?

Ah, sim, mais uma coisa: ele é supostamente anacrônico, já que é uma releitura (óbvia) de um conto de fadas. Legal, né? Não, porque a anacronia dele me deixou completamente confusa em relação aos costumes da época. Como a boca grande da protagonista Qual-É-O-Nome-Dela-Mesmo, que fez um número desnecessário de piadas sobre a deficiência do mocinho, e as afetações do mocinho Esqueci-O-Nome-Também, que também faz piada com todo tipo de moribundo. Olha, não sou do time 100% politicamente correto, mas algumas piadas foram bem desagradáveis, em especial para a época (bom, ao menos sei que o livro não se passa em 1992, levando em conta as inúmeras características de época dele).

Não nego: em vários momentos, eu ri lendo livro. Ri mesmo, de gargalhar e bater com a mão na lateral do corpo, achando as respostas da Linnet muito, muito bem boladas. Exatamente por esses momentos, eu não digo que odiei o livro. Mas senti que faltou uma boa edição, algo que tivesse mais espacialidade, tato e, quem sabe, um pouco mais de senso estético na narrativa.

Olha, antes que me chamem de chata, eu fui criada a base de romances de banca de jornal, não de Dostoiévsky. E eu continuo amando cada Júlia, Sabrina e Bianca que já li, mas esse livro foi difícil até pra mim.

Até agora, a decepção do ano. Uma excelente proposta, boa criatividade, tiradas geniais, mas uma péssima execução. Peninha, peninha mesmo. Adoro um romance picante…

Um comentário:

  1. Li esse livro há um tempo atrás. E lembro de ter gostado dele. Sobre House, concordo. A autora admitiu ter se inspirado, mas para mim ela copiou o personagem mesmo. Hahaha

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