Cadu, de J. V. Leite


|  Por Clara Taveira  |

Cadu veio para mim como um trabalho de revisão, dentre vários naquele mês. Poderia ser apenas mais um, mas não foi. Marcou, e marcou com força. Confesso que vai ser difícil fazer essa resenha sem dizer um milhão de vezes “que livro!”. Sabe quando você termina um livro e diz "nossa, senti o impacto"? Então.

Pois bem, vamos começar pela sinopse:
Cadu, um garoto doce e tímido, em plena descoberta da sua sexualidade, apaixona-se pelo irmão mais velho do seu melhor amigo. Durante dois anos, Cadu se ilude com a promessa silenciosa de viver esse amor e, aos dezessete anos, se entrega a Apolo, um homem cruel e perverso, adepto a técnicas nada convencionais de relacionamento, que encontra em Cadu uma forma de testar todos os seus limites, subjugando-o e abusando deliberadamente da sua inocência. Cadu chega ao fundo do poço para descobrir que está cego de amor e precisa fugir do seu algoz para voltar a ser o que era, um garoto normal e feliz.

Rhyan, um homem autêntico, bem-sucedido e dono de si, ao fazer um favor a um grande amigo, recebe Cadu em sua casa, um garoto lindo e cheio de segredos, mas que desperta em Rhyan um sentimento novo, de querer estar perto, de protegê-lo e, acima de tudo, de fazê-lo superar seus medos e traumas. Será Rhyan capaz de tirar Cadu do poço fundo e escuro que ele mesmo se enfiou?

Descubra nesse intenso romance até onde vai o poder transformador do amor.

Deu para sacar? Não é um romance de flores e chocolates e amorzinho. É um romance intenso, de superação, de companheirismo, e é do jeito que eu mais amo: alternando passado e presente. A-DO-RO essa forma de narração, por sinal.

Cadu, como a sinopse já contou, é um jovem meio tímido, inocente, que se apaixona pelo irmão gatão do melhor amigo, que aparentemente retribui seus amores, para seu deleite. Os dois embarcam em um relacionamento quente, que até que começa bem, mas logo se mostra ser extremamente abusivo. Cadu é rebaixado, pisado, torturado, humilhado, tudo que você possa imaginar, e, a cada vez que tenta sair desse buraco, Apolo, o gatão, puxa o jovem pela perna e o enfia mais fundo nesse relacionamento. Em vários momentos, eu pensei “ME SEGURA, QUE VOU DAR NA CARA DELE!!”. Que raiva desse Apolo, nojento, asqueroso, criminoso! Não dava nem para torcer para Cadu sentar a porrada nele, o bicho era bem maior que o pobre do menino… Bom, de qualquer modo, até parece que um tapa na cara seria suficiente, né? Quem dera se fosse tão fácil sair de um relacionamento abusivo assim...

Rhyan é um jovem empresário, gente boa (adorei o personagem!), que acaba recebendo Cadu em sua casa, por um acaso do destino, já que seu amigo precisava de alguém que cuidasse do irmão da namorada, e o escolhido foi exatamente ele. Rhyan pode até ficar meio cabreiro no começo, mas logo um sentimento vai nascendo entre os dois, algo novo, sensual, mas ao mesmo tempo doce. Uma coisa não anula a outra, ainda que muita gente ache isso, não é mesmo? Um instinto intenso de proteção surge no mais velho, pois ele conhece Cadu já marcado pela violência de Apolo, e esse desejo de manter o bem-estar do jovem, ao contrário do sentimento de posse que o outro lá tinha, logo evolui para um lindo e saudável amor, cheio descobertas, prazer e companheirismo.

Porém, Apolo ainda é uma realidade na vida de Cadu, mesmo que ele fuja do seu algoz, então um monte de dúvidas vai surgindo à medida que vamos lendo o livro: será que Rhyan vai poder ajudar o Cadu a sair daquele buraco? Apolo, se souber dos dois, vai tentar algo contra Cadu, ou sua família? Qual é o limite da obsessão desse doido? Como Rhyan vai reagir quando souber do passado de seu amor?

“Cadu” é um romance forte, picante, que mostra dois tipos de romance, deixa bem definido os limites entre um relacionamento saudável e um abusivo e te faz torcer pelo casal e querer o vilão atrás das grades (ou debaixo de um rolo compressor, quem sabe?). 

(Disponível na Amazon aqui: Cadu)


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