CD da Semana: This is Who I Am, de Lena Katina

Lembra de t.A.T.u.? Aquela dupla russa de pop eletrônico que ficava trocando saliva no palco lá em 2001, 2002? Pois bem, eu sou uma fã declarada delas. Sabe o lance do "prazer culpado"? Então, t.A.T.u. é meu maior "prazer não-culpado". ADORO.

Claro, eu não sou dessas fãs que ficam cegas (surdas, no caso) e ignoram os deslizes do ídolo. t.A.T.u. foi uma banda polêmica, pela imagem falsa de lésbicas que passaram (e era tudo mentira, veja só...), com arranjos vocais divertidos, mas longe de serem Randy Crawfords ou Lady Gagas, e cheia de furos dos mais diversos em suas carreiras (como atrasos em shows, lançamentos de álbuns, entrevistas ruins, posturas meio blé).

Poréééém... Nada muda o fato de que eu sempre vou adorar t.A.T.u., pois não só é uma dupla com músicas gostosas, como também é uma das responsáveis por eu ter passado a olhar para meus semelhantes de modo diferente.
Explico: eu era MUITO religiosa na época em que elas surgiram. E, digamos, bem babacona.. Ouvir t.A.T.u. me mostrou que várias das ideias que eu acreditava sobre lésbicas era tudo mentira preconceituosa daqueles falsos profetas da porcaria da igreja que eu frequentava (lembrando que estou me referindo SOMENTE A ESSA IGREJA. Não estou colocando todos os religiosos no mesmo balaio, pelo amor de Deus. ESSA IGREJA era o inferno em Terra.). Não nego que acabei caindo no clichê básico da menina que se sente atraída por meninas e fica com raiva de si e passa a ser homofóbica, em uma tentativa ruim de negar quem é. Mas é tudo passado, felizmente.


Voltando para o álbum, estou lendo uma biografia de t.A.T.u, conhecendo coisas sobre a banda que eu nem imaginava, e isso despertou uma vontade adormecida de ouvir outras coisas além de t.A.T.u. Para minha tristeza e a de vários fãs, Yulia Volkova, a morena da dupla, se mostrou uma pessoa preconceituosa  há alguns anos, quando disse que não aceitaria um filho gay, disse que duas meninas juntas é esteticamente aceitável e que um homem tem que ser um homem de verdade, um monte de besteira. É óbvio que quando isso aconteceu, eu parei imediatamente de seguir Senhorita Volkova em redes sociais, deletei músicas do iPod e tudo o mais. Estava prestes a fazer o mesmo com t.A.T.u., quando Lena Katina, que sempre foi a assumidamente hétero do grupo (enquanto Yulia sempre pagou de bissexual), disse que discordava totalmente da postura da ex-colega de banda.

Isso foi bem aliviante, pois eu já estava namorando a carreira solo da Lena há um bom tempo, e se ela concordasse com a Volkova, não somente eu precisaria abdicar da solo como de t.A.T.u. (sim, eu continuo ouvindo, tendo em mente que Volkova, quando gravou os álbuns, não era a ridícula que é hoje. Tanto é que elas tem uma canção chamada "Malchik Gay", garoto gay, e elas sempre mencionaram que gostavam de ver garotos se beijando. Ou seja, essa postura homofóbica e absurda é coisa "nova"), como teria que deixar de lado This is Who I Am, álbum que, por mais que não seja o melhor trabalho da ruiva, mostra uma maturidade musical e estética gigantesca, coisa que só percebi essa semana, quando fui dar mais uma chance para ele após começar a biografia da ex-dupla russa.

Esse álbum, lançado no final de 2014, nos apresenta uma Lena adulta, sem aquelas coisas enjoadinhas de saia de colegial, gritos muito agudos (argh, You é muito ruim, socorro) e sexualização exagerada (que não era culpa dela, mas sim de seu ex-agente, produtor, sei lá o que aquele maluco que quase agenciava as meninas aos 14 anos era). Além disso, insere a cantora russa em uma vibe totalmente diferente do primeiro, segundo e terceiro álbums de t.A.T.u.: aqui, ela passeia por um pouco de rock, de soft rock, com canções sensuais, divertidas, mais sérias, porém animadas, com uma positividade nítida.



Foco em Never Forget, música que não é a melhor do álbum (prefiro Fed Up!), mas que é ótima por enterrar a dupla t.A.T.u. em um velório. A-do-ro. Enterra mesmo aquela megera, Lenita, que você não precisa de louca preconceituosa viciada em atenção te puxando pra baixo!

Há algumas músicas que me dão um pouquinho de dor no coração, pois não sinto aquela pegada gostosa da Lena que sentia vez ou outra em t.A.T.u. Lift Me Up, por exemplo, nem parece A LENA KATINA, parece a Maksim fazendo voz mais grossa. Por outro lado, o álbum inteiro tem uma harmonia suave, que encaixa de modo suave as músicas. Não vi  muito conceeeito, conceito mesmo, mas me divirto ouvindo, e para mim, é isso que basta. An Invitation, por exemplo, é uma música dessas que conseguem ser delicadas e sensuais ao mesmo tempo. É uma das minhas preferidas, e eu adoraria que o álbum todo tivesse essa pegada mais adulta.

Detalhes a parte, TIWIM é um álbum delicioso, divertido e empolgante. Mostra uma evolução musical natural, uma maturidade (não tão natural, afinal a morena da dupla parece que regrediu, enquanto a ruiva continuou crescendo) e, principalmente, uma leveza que eu nunca senti em t.A.T.u.


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