Leitura em Andamento - Oceano no Fim do Caminho, de Neil Gaiman


A postagem de hoje é rápida e tem o intuito de trazer um pouco das impressões e efeitos que a leitura de Oceano no Fim do Caminho tem trazido. Esse livro está me encantando tanto, que não resisti e decidi escrever alguma coisa sobre ele, mesmo antes de fechar a leitura. Para deixar evidente logo de cara, estou fechando o primeiro terço do livro e confesso que tenho em mãos um possível candidato a melhor do ano. Se você não sabe do que se trata, nem quem é o autor e tudo mais, segue no texto, que vou te contar um pouco do que já rolou na história e algumas das relações que fiz (relaxe, que não darei spoilers).

A história começa com o narrador relatando sua ida a um velório em sua cidade natal. Pelo que parece, essa voz já passa dos quarenta, está divorciado e tem filhos. Emprego estável e uma vida comum. Pode parecer sem graça e sem um motivo aparente para uma boa história de suspense, um cadinho de aventura quiçá terror.
É no caminho desse evento que vamos sendo apresentados ao que de fato vai acontecer a história.

Nossa narrador e protagonista relata sua dificuldade de lembrar de seu passado. Não como uma perda de memória ou algo no estilo Wolverine assombrado por um passado preso na sua mente. Simplesmente os esquecimentos comuns de um homem depois dos quarenta, que já não reconhece mais nomes e pessoas de sua infância. (Bento Casmurro que o diga, né, Capitu?)

E é aí que chegamos a uma fazenda – sim, a história parece se passar em alguma região rural norte americana – que pertence à mesma família há gerações. A estrada que leva a esse lugar acaba sendo retratada quase como um túnel que reacende as memórias do narrador conforme seu carro percorre aquele terreno. Atrás da casa, um lago – ou oceano, como também já o considero – e um banco de madeira. Os mesmos da infância de nosso personagem. E aí é que começa a história e suas memórias.

Se de fato aquilo aconteceu, ou se tudo é obra de sua criação momentânea, ao melhor estilo Dom Casmurro, nunca saberemos.
Você talvez esteja se perguntando porque tal livro está sendo tão impactante, e eu te respondo: por vários motivos que ultrapassam a narrativa. Mas vamos por partes:

Quanto ao caminho da narrativa, só posso dizer que as memórias de nosso narrador passeiam por um universo fantástico no melhor estilo Stranger Things. Sim, enquanto fui lendo, só imaginava aquele cenário, e aquele tipo de ação/terror. Talvez tudo mude de figura nas próximas páginas, mas, até agora, parece que Gaiman e os roteiristas da série beberam nas mesmas águas.

Além da narrativa, a escrita de Neil Gaiman é doce, delicada e muito fluída. Você não encontrará palavras estranhas, frases complexas que te farão reler um parágrafo três vezes. É uma escrita tão leve até o momento, que não duvido que um adolescente de doze ou treze anos encararia a história com o pé nas costas. Gaiman faz uma bela mistura de real e sobrenatural sem parecer um mundo de fantasia bizarro, e isso é o que está tornando o livro tão bacana. Afinal, a gente pode até não acreditar em criaturas espirituais de mundos invertidos, mas quem disse que elas não existem?

É nisso que o livro parece brilhar para mim. Ele joga na possibilidade de existir tudo aquilo e te coloca na pele do protagonista, vivenciando aquelas emoções em poucas páginas. Sério, esse é o primeiro livro do Gaiman que leio, mas se isso for uma característica da sua escrita, quero tudo dele.

Por enquanto é “somente” isso que posso dizer do livro. Fantástico, apaixonante, um Stranger Things m papel. Espero conseguir tempo para terminar a leitura o quanto antes, porque não consigo tirar a cabeça dessa história nem um só momento.

Se alguém já leu essa história e quiser trocar umas ideias quando eu fechar a história, ou que seja fã de Neil Gaiman, manda mensagem e vamos trocar umas ideias. Estou descobrindo essa escrita maravilhosa e adoraria saber mais impressões de outras obras.

Nenhum comentário:

Postar um comentário