Arma de Vingança, de Danilo Barbosa


Confesso que comprei este livro meio desconfiada, já que não sou fã do estilo dark, mas desejava conhecer esta obra tão bem falada. Ainda bem! Com ele, descobri que meu problema não são livros com tons mais escuros ou que careçam de romantismo. Não…

Meu problema é com personagens femininas bobas e submissas, que se deixam ser capachos dos homens. E isto é tudo que a Ana não é. A personalidade forte da protagonista me impressionou logo nas primeiras páginas.

Logo descobrimos que crimes e mortes fizeram parte de um passado não muito remoto da Ana. O livro volta um pouco ao passado e nos mostra a protagonista mais jovem e já marcada por um relacionamento ruim. Mesmo assim, encontramos uma garota que ainda mantém uma centelha de esperança no amor. Ela se encanta por um homem de modos gentis e cara de anjo. Um lindo príncipe, tão perfeito e romântico, que parecia bom demais para ser verdade. E era. Ao ver o primeiro ponto de vista do rapaz, eu quis entrar no livro e bater no desgraçado. Respirei fundo e pensei: calma, lembre-se do prólogo.

“Aqui, diante de você, contarei em detalhes a minha história, finalmente. Se em algum momento eu parecer cruel, insensível ou uma grande cretina, peço que me desculpe, mas fui mesmo. Não estou aqui para ser julgada pelos meus atos.”

Sentiu o clima, não é? 

E o que falar da escrita do Danilo Barbosa? É incrível, o livro é narrado em primeira pessoa, variando o ponto de vista dos personagens quando convém e subdividido em quatro partes. O título de cada parte é um prelúdio do que estamos prestes a ler. Primeiro, você vive os fragmentos da ilusão em que ela se encontra:

“Decidi parar de pensar no amanhã. Vendo aquele homem, sabia que iria curtir o presente. Cada pedacinho dele.” 

Que logo é destruída, para o leitor, com a visão dele:

“Tentei fazer o olhar de garoto apaixonado. Ela tremia, delicada. Peguei sua mão e senti em seu pulso um rápido acelerar, como um passarinho preso na armadilha.”

O leitor tem a possibilidade de ver o verdadeiro Ricardo. Eu não sei vocês, mas quando estou lendo o livro, eu me conecto com os personagens de modo que eles são reais para mim. Eu queria gritar para ela: “corre, Ana! É roubada”. Pena que ela não me escutava... 

A partir daí, tudo foi se tornando pior. Minto! Para a Ana, tudo parecia bem, para mim, cada vez ficava mais claro o quanto o Ricardo era um psicopata. Ela demorou para descobrir a outra face da moeda e, quando o fez, eis que surge o pesadelo. Nossa! No final da terceira parte, eu estava quase pulando da cadeira, devorando cada palavra dita. É incrível como me envolvi com a história e ansiava por vingança. Ah… E que vingança!

“Naquele dia recebi meu batismo de fogo. Nele, deixei nas chamas a menina doce e inocente que havia sido. Surgia uma arma inclemente de vingança.”

Eu não vou dizer as atrocidades que ocorreram para deixá-la neste estado de ódio puro. Vocês precisarão ler para descobrir. Eu torcia para que ele sofresse, mas tinha momentos que eu temia por ela. Como seria sua vida depois disso? Que tipo de pessoa a Ana se tornaria? 

“Todas as minhas ações eram mecânicas, frias e calculadas. Fazia o que era esperado de mim, a fim de conseguir o que eu queria: o sangue correndo pelos dedos.”

O livro é surpreendente. Eu mal me recuperei dos eventos de uma fatídica noite, quando sofri outro baque com o final. Na metade do livro, eu já tinha certeza que acabaria de um certo jeito, porém quando voltou ao presente, o Danilo me surpreendeu uma última vez.

“Sobrevivi e ainda o faço com meus próprios meios e nenhum de vocês é melhor ou pior do que eu para me julgar.”

Recomendo para aqueles fortes de coração que não procuram um romance fofo e juras eternas de amor. 


Resenha criada pela colaboradora Aretha V. Guedes, autora da série Jack Rock, destaque no Wattpad e bestseller na Amazon.