Love Hina, de Ken Akamatsu

Existe uma coisa até que bem comum no mundo dos mangás chamada Fan Service. Parafraseando o Wikipedia,

"Fan service (às vezes escrito fanservice), service cut ou simplesmente service são termos, de definição de certo modo vaga, utilizados nas mídias visuais, particularmente por fãs de mangá e anime, referindo-se a elementos superflúos à história principal, mas incluídos para divertir, entreter ou atrair a audiência. Muitas vezes incluem situações de forte conotação sexual."

Basicamente, são derrières, seios, coxas, barrigas, calcinhas, sutiãs, cintas-ligas, enfim, elementos de conotação sexual inseridos na história com objetivos puramente convidativos, ou melhor, feitos apenas para dar uma animada na história, sem nenhum tipo de envolvimento sério com o enredo. Por exemplo, um vento que bate numa saia e a levanta, mostrando a calcinha da mocinha, assim, aleatoriamente, sabe? Só por mostrar mesmo.
O mangá que estrela essa resenha é um exemplo conhecidíssimo de obra com fan service a dar com o pau: Love Hina, o divertidíssimo mangá de Ken Akamatsu!

Love Hina nos conta a história de Keitarô Urashima, vestibulando fracassado que, após não passar no exame da Universidade de Tóquio pela terceira vez, é expulso de casa pelos pais e vai parar na Hinata, pensão de sua avó. Seus problemas começam quando descobre que a pensão agora é exclusivamente feminina, mas que sua avó deixou o cargo de gerente em suas mãos.

É  meio óbvio que colocar um jovem de 20 anos no meio de um grupo de mulheres das mais variadas idades e características (para não dizer humores) não pode dar lá muito certo. Keitaro passa 80% do mangá apanhando, sendo arremessado longe, sendo enforcado, amarrado, afogado, enfim: sofrendo o pão que o diabo amassou. E o pior: na maioria das vezes em que ele leva porrada, é por acidente: escorregando e caindo de cara no colo de Shinobu, a mais nova de todas, tropeçando e segurando no seio de Motoko, a durona do grupo, praticante de kendô, pensando besteira em voz alta na frente de Koalla, a menina exótica do grupo, ou entrando num quarto sem bater e pegando Naru Narusegawa, a outra protagonista, sem saias. E não adianta explicar, dizer que não houve intenção, que foi sem querer: Keitarô sempre-sempre-sempre apanha!

Mas afinal, por que raios esse cara quer tanto entrar na Toudai, como chamam a Universidade de Tóquio, se dá para ser bem-sucedido no Japão sem diploma universitário e se já foi comprovado que ele é desastrado e distraído demais para tanto? Qual é o motivo para aceitar tanta porrada de tanta mulher, só para ter onde ficar enquanto estuda? Simples: uma garota. Quinze anos antes de virar gerente da pensão, Keitarô fez uma promessa a uma menina, jurando encontrá-la na Toudai quando tivessem idade para ficarem juntos. O PROBLEMA É QUE O IDIOTA NÃO LEMBRA NEM O NOME DA GURIA! Sério, alguém dê mais porrada nele, por favor!

Mas, calma lá, nem tudo está perdido. Naru, a jovem citada anteriormente (e que está de calcinha na imagem anterior), entra para sacudir as estruturas desse amor juvenil um tanto quanto platônico. Inteligente, séria, extremamente atraente e dedicada, Naru se torna o centro dos pensamentos de Keitarô em poucos capítulos, principalmente quando este descobre que Naru também fez uma promessa para alguém quando era pequena. Claro, distraído como é, Keitarô não percebe que, tendo 17 anos, a jovem não tem idade suficiente para ter feito promessa nenhuma 15 atrás. Mas aí já é tarde, Keitarô se apaixona por uma garota que passa 80% do seu tempo estudando e 15% arremessando-o pela janela. Ah, claro, e 5% ajudando-o a estudar para o vestibular, o que mostra um pequeno e não desejado interesse pelo gerente.

Particularmente, me irrita um pouco o fato de uma história tão divertidinha ser direcionada muito mais para meninos. Afinal, o fan service é direcionado para homens! Não há homens bonitos aparecendo, ou coxas musculosas, traseiros másculos nem nada. Só mulheres. 

Keitarô, por exemplo, se não apanhasse o mangá inteiro, seria considerado "sortudo" por vários homens, por viver rodeado de mulheres. Meio machistinha isso, né?  Dá pra fazer um pouco melhor do que isso, autores! Há mangás que conseguem trabalhar o fan service para ambos os lados, tanto para quem curte meninas quanto para quem curte meninos. Um bom exemplo é o bobinho Galism!, cheio de peitorais sarados e seios fartos aparecendo na mesma quantidade. Mas enfim, voltando pra LH...

Love Hina é um mangá sem muita profundidade de enredo, ao contrário de mangás como Adolf, Buda, Chobits, ou mesmo Card Captor Sakura. Mesmo assim, é um mangá que vale a pena: leve, divertido, nos faz torcer para que o romance do casal protagonista dê certo (ou para que, pelo menos, ele encontre a tal menina da promessa) e nos faz dar risadas descompromissadas. Ao contrário de Sakura, Love Hina não possui carga dramática, apesar de ser possível notar um leve tom de moral no fundo: aquele lance de correr atrás dos sonhos e não desistir por causa de adversidades etc., sabe? É um mangá bom para ler e relaxar.

Não é meu melhor mangá, mas do grupo dos não-melhores, esse é o mais divertido, sem sombra de dúvidas.